Haddad minimiza impacto inflacionário e fiscal das altas no Imposto de Importação

Haddad
Na imagem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad – Foto: Diogo Zacarias via Ministério da Fazenda

Por Gabriel Benevides, de Brasília

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, minimizou na 4ª feira (25.fev.2026), eventuais impactos do aumento nas alíquotas de II (Imposto de Importação) sobre mais de 1.200 produtos.

Segundo ele, a ideia é proteger o mercado nacional e incentivar incentivar empresas estrangeiras a fabricar os produtos no Brasil. Também descartou a possibilidade de pressão na inflação por causa da medida.

“Afeta a empresa estrangeira que não está produzindo em território nacional […] Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Então, não tem impacto a não ser na proteção da produção nacional. Não tem impacto em preço. É uma mentira o que estão falando”, declarou a jornalistas na sede da Fazenda, em Brasília.

Haddad deu exemplo do aumento da alíquota sobre smartphones. Afirmou que 90% dos aparelhos já são produzidos no Brasil, isentos pela Zona Franca de Manaus.

Ele também admitiu que o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) pode revogar o aumento de II a qualquer momento, caso seja observado o aumento dos preços.

“Se, porventura, acontecer o que você está dizendo, o Mdic vai reconhecer que isso pode ter impacto e está autorizado a imediatamente zerar o imposto de importação”, declarou.

A IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado analisou as altas do imposto eem relatório publicado nesta 5ª feira (26.fev). O documento diz que não é possível dar certeza à ausência de pressão inflacionária por causa das tarifas.

A entidade cita o aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos de Donald Trump como um movimento prático de inflação por causa de medidas similares.

“O efeito industrializante de medidas protecionistas, via tarifas de importação, ao longo da história econômica brasileira, é ponto controverso na literatura especializada e contradita evidências empíricas recentes, como os resultados iniciais do tarifaço adotado pelo governo do presidente Donald Trump”, diz o texto.

ARRECADAÇÃO

Haddad disse que o objetivo da medida não é arrecadatório, mas sim regulatório –como é a previsão legal do II. Apesar disso, há impacto na receita pública: o Orçamento deste ano prevê ingresso de R$ 14 bilhões extras por causa das novas alíquotas.

“A medida não tem nem análise de impacto, porque o objetivo dela é regulatório. Então, vamos lá. Mais de 90% desses produtos são produzidos no Brasil”, disse.

A IFI reitera que, de fato, há impacto arrecadatório no Orçamento por causa da medida. Dá uma estimativa maior que a da equipe econômica: diz que o dinheiro extra pode chegar a R$ 20 bilhões.

“Fato é que há expectativa de uma arrecadação adicional com o Imposto de Importação da ordem de R$ 14 bilhões a R$ 20 bilhões, como colaboração para o cumprimento das metas fiscais fixadas para 2026”, afirma a instituição.

Leia a íntegra do relatório abaixo:

ENTENDA A ALTA NO II

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou em 4 de fevereiro de 2026 a alíquota de importação sobre diversos produtos –incluindo smartphones, máquinas industriais e meios de transporte.

As regras não valem imediatamente. A vigência das novas tarifas tem início diferenciado a depender do produto. O valor e as alíquotas estão detalhadas na resolução (nº 852 de 2026) do Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior). Leia abaixo:

A medida vale para bens de capital, além de bens de informática e telecomunicações. Em resumo, as principais mudanças foram as seguintes: 

  • Bens com alíquotas abaixo de 7,0% – Ficam com mínimo de 7,0%.
  • Bens com alíquotas acima de 7,0% até 12,6% – Ficam com mínimo de 12,6%.
  • Bens com com alíquota acima de 12,7% até 20,0% – Ficam com mínimo de 20,0%.

Mas há exceções: diversos produtos ficaram com uma alíquota intermediária entre as faixas previstas.

O documento é assinado pelo vice-presidente e ministro do Comércio, Geraldo Alckmin (PSB). Também deixa claro que “não altera a regra de tributação para produtos do setor aeronáutico”.

O movimento veio mesmo quando o Brasil é um dos alvos do tarifaço dos Estados Unidos –amplamente criticado pela gestão de Lula. O aumento das tarifas de importação estadunidenses foi barrado pela Suprema Corte do país em 20 de fevereiro.

O presidente norte-americano Donald Trump prometeu que editará um novo decreto restabelecendo as alíquotas

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