
Por Gabriel Benevides, de Brasília
Contadores têm enfrentado resistências de clientes por causa dos novos padrões da reforma tributária. O Portal ouviu relatos de profissionais que têm se esforçado para convencer trabalhadores liberais a se regularizarem e adotarem os modelos de nota fiscal, mas sem sucesso.
Especialistas ouvidos pela reportagem disseram que a tendência ainda não é a rejeição dos recibos anteriores gerados aos clientes. Porém, isso deve mudar a curto prazo.
Os profissionais afirmam que a instabilidade nos sistemas de emissão da NFS-e de padrão nacional também desestimulam os clientes. Além disso, a eventual demora para adaptação pode ter um custo alto durante e depois da transição da reforma.
Sócio na Confidencial Assessoria Empresarial e professor na faculdade Fipecafi, Rodrigo Paiva avalia que a tolerância aos métodos anteriores à NFS-e deve diminuir após o 1º trimestre.
“Acredito que a tendência será uma maior formalização das transações e aumento das rejeições de recibos, mas isso não está ocorrendo agora”, declara o profissional ao Portal.
Para ele, o principal objetivo das empresas no momento é emitir os documentos corretamente. Porém, diz que o não recebimento de créditos neste período de adaptação promove um certo “relaxamento”.
“Acredito que a partir de abril de 2026 o mercado irá se ajustar para exigir que todas as notas sejam emitidas no padrão novo, com IBS e CBS”, afirma.

Vinicius Zucchini, CPO (diretor de produtos) da empresa de inteligência financeira ROIT, alerta para eventuais perdas por causa da demora de se adaptar à reforma. Destaca que as penalidades serão aplicadas a quem não se regularizar.
Vinicius menciona que empreendedores eventualmente identificados como sonegadores pela Receita podem ter multa de até 150% como pessoa física, se não tiverem documentos fiscais.
Ele explica que ficar na irregularidade pode parecer econômico a curto prazo, mas que o custo à empresa é grande no futuro. Cita também que as obrigações para o contador são numerosas, o que dificulta ainda mais a adaptação.
“É uma classe que é muito pressionada por várias regras e obrigações que precisam cumprir em nome do cliente. Obviamente que, por motivos como a rejeição em algumas situações, fatalmente, vão ter que correr atrás e deixar os clientes aptos”, diz.

Marco Granado, docente do CRCSP (Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo), afirma que o país vive um momento atípico nas áreas tributária e empresarial –com maior consciência sobre a importância da nota fiscal.
Segundo ele, a tendência é que a emissão correta vire regra, sobretudo com a chegada do IBS e da CBS. Declara que a exigência deve aumentar no mercado uma vez que o documento gere crédito.
“Temos um momento muito diferenciado no aspecto tributário, econômico e empresarial, com a conscientização de que a nota fiscal é importante. Cada vez mais isso será um padrão normal”, diz.




