Fome de reforma tributária? Vou explicar de um jeito simples

Por Rico Chermont

A Reforma Tributária está sendo tratada como um tema técnico.

Mas, na prática, ela é um tema de margem, competitividade e sobrevivência.

Pense no preço de um produto como o preço de um lanche.

Você olha o valor no cardápio e acha que aquilo é o custo real.

Mas ali dentro tem muito mais do que pão e carne.

Tem operação. Tem fornecedor. Tem ineficiência.

E, principalmente, tem imposto escondido.

No Brasil, o problema nunca foi só quanto imposto pagamos.

O problema é quanto imposto está escondido no preço sem a gente perceber.

Por isso, aqui na ROIT, gostamos de dividir a tributação em três camadas:

T1, T2 e T3.

O T1 é o imposto que aparece.

Está na nota. Está nos relatórios. Está na discussão.

É o imposto que todo mundo vê e acha que explica o preço.

Mas ele explica só a parte visível do sanduiche.

O T2 é mais perigoso.

São tributos pagos lá no começo da cadeia, pela indústria ou pelo fornecedor, que somem da nota, mas continuam vivos dentro do custo.

Você não enxerga. Come. E ainda paga. Sempre.

E o T3 é o mais traiçoeiro de todos.

Ele mora nos bastidores: despesas administrativas, tecnologia, logística, CAPEX, OPEX, ecossistema de fornecedores.

Nada disso aparece na bandeja. Mas tudo isso empurra o preço para cima.

O erro da maioria das empresas hoje?

Negociar preço olhando só para o T1.

Enquanto isso: o T2 corrói margem, o T3 infla custo e a empresa acha que está ganhando dinheiro, quando, na prática, está vazando valor.

É como tentar lucrar sem saber quanto custa de verdade operar o negócio.

E é exatamente aqui que a Reforma Tributária muda o jogo.

Com IBS e CBS, o Brasil passa a exigir uma lógica nova: o imposto deve incidir sobre o valor real, limpo, sem sujeira tributária acumulada.

Tradução prática?

Preço sujo vira risco.

Preço limpo vira vantagem competitiva.

Qual seu risco? Pagar mais imposto? Não.

O risco é continuar comprando caro sem saber.

Vendendo barato sem perceber.

E perdendo margem sem diagnóstico.

No Brasil pós-Reforma, não vai ganhar quem tem a menor alíquota. Vai ganhar quem souber negociar o preço mais limpo. 2026 ainda é um campo de treino.

E quem for inteligente agora vai:

  • revisar preços;
  • renegociar contratos;
  • limpar a base de custos;
  • criar espaço para absorver o impacto sem perder margem.

Quem deixar para depois pode acordar em 2027 mais caro, menos competitivo e sem entender o porquê.

A nova vantagem competitiva tem nome: Preço Líquido.

A Reforma Tributária não vai quebrar empresas.

Preço mal formado vai.


Rico Chermont é CRO e sócio da ROIT, onde lidera as áreas de Marketing, Vendas, Customer Success e Parcerias. Com mais de 20 anos de experiência em marketing e vendas B2B, atua na interseção entre estratégia de negócios, tecnologia e os impactos da Reforma Tributária no ambiente corporativo.


Os artigos escritos pelos “colunistas” não refletem necessariamente a opinião do Portal da Reforma Tributária. Os textos visam promover o debate sobre temas relevantes para o país.


Revista da Reforma Tributária

Rolar para cima