
Por Bruno Carvalho
O mundo moderno de informação hiper-rápida afeta todas as facetas da nossa vida, e a Reforma Tributária do Consumo não seria diferente. Com a internet e especialmente as redes sociais cada vez mais presentes no dia a dia do cidadão, sofremos de um problema de excesso de informações, muitas vezes misturando informações confiáveis com exageros, mentiras e desinformações. Isso apresenta novos desafios para empresas, governos e cidadãos.
A Reforma Tributária do Consumo, apesar de neutra no conjunto das suas mudanças, promoverá ganhadores e perdedores, que terão sua carga tributária reduzida ou aumentada, respectivamente. Além disso, a adequação de sistemas e processos de trabalho às novas exigências é premente e pode levar a prejuízos se mal executada. Esse prospecto de ganhos e perdas financeiros acaba ficando nebuloso, devido à dificuldade do tema tributário e a grande amplitude das mudanças. Cria-se terreno fértil para agentes mal-intencionados semearem o caos, utilizando mensagens exageradas ou mesmo completamente mentirosas para criar pânico.
Isso é amplificado pela estrutura de funcionamento da internet atualmente, em especial das redes sociais. Com a busca desenfreada por cliques e tempo de tela, as big techs ajustaram seus algoritmos para focar nos sentimentos negativos: medo, raiva, desgosto. Esses sentimentos garantem a eles mais atenção do seu público alvo e fonte de renda: o usuário. Assim, mensagens alarmistas acabam viralizando de forma muito rápida, promovendo desde golpes e fraudes até profissionais inescrupulosos que querem se vender como tábua de salvação nestes tempos turbulentos. As publicações são feitas para fazer seu estômago revirar e evitar que você pense racionalmente sobre o assunto.
Contra as trevas da desinformação, não há outro antídoto senão a luz do conhecimento. Antigamente, o jornalismo profissional, com sua ética reconhecida e o dever profissional da busca da verdade, servia como escudo contra esses males. Porém, o enfraquecimento do jornalismo face à nova realidade da comunicação online acaba fazendo com que muitas mensagens sejam repassadas sem o devido cuidado da apuração justa. Isso gera uma nova necessidade no trato com a informação que afeta a todos nós.
Cabe a cada um de nós, receptores da mensagem, ter o discernimento de apurar e verificar se aquilo que recebemos é realmente verdadeiro. Isso só é possível com o estudo. Há profissionais sérios no mercado. Há fontes de informação confiáveis. Porém, é necessário que cada contribuinte e cada cidadão tenham ao menos um conhecimento mínimo da Reforma para poder discernir quem está fazendo alertas reais e quem está apenas semeando tempestade.
Entender os reais desafios e necessidades de adaptação fará com que se perceba quem pode ajudar a atravessar essa turbulência. Não precisamos nos tornar pós-doutores em tributação, mas temos que ter uma noção mínima da Constituição Federal e das leis para separar bons profissionais de encantadores de serpente e veículos sérios de fontes de desinformação. Não é um caminho fácil ou rápido, mas é a única forma de garantir paz e segurança nas decisões que terão que ser tomada nos próximos anos.
Bruno Carvalho é auditor fiscal da Sefaz-PI. Atua na Central de Operações Estaduais. Foi relator da Comissão de Reforma Tributária da Fenafisco (Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital) até junho de 2024.
Os artigos escritos pelos “colunistas” não refletem necessariamente a opinião do Portal da Reforma Tributária. Os textos visam promover o debate sobre temas relevantes para o país.
Revista da Reforma Tributária
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