Fenacon e contadores rebatem Haddad e afirmam que fala coloca em xeque a importância do contador

Haddad
Na imagem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad –Foto: Geraldo Magela via Agência Senado

Por Enzo Bernardes

A Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon) repudiou a recente fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que dizia que as empresas brasileiras tem mais contadores do que engenheiros.

Para a Federação, a fala de Haddad representa uma tentativa de minimizar a importância da contabilidade, e precisa ser “firmemente rechaçada”:

“Tal posicionamento desconsidera a complexidade do sistema tributário brasileiro e o papel notável desempenhado pela contabilidade no funcionamento da economia. Por representar uma mudança estrutural relevante, a Reforma Tributária carece de interpretação técnica, planejamento, conformidade fiscal, governança e gestão financeira”, publicou a entidade nas redes sociais.

A Fenacon ressaltou que o papel do contador vai muito além do cumprimento de obrigações acessórias, sendo essencial para a gestão empresarial, a arrecadação tributária, a geração de empregos e a sustentabilidade dos negócios. A entidade reafirmou a indispensabilidade dos profissionais da contabilidade para o desenvolvimento do país e cobrou respeito, além de uma retratação por parte do ministro.

Contadores também vieram a público para criticar a fala de Haddad. Pedro Nery, CEO da Contabilidade.net, afirmou que a fala do ministro insinua que é negativo as empresas terem mais contadores do que engenheiros, expressando que a reforma tributária vem para acabar com isso:

“Isso mostra o plano do governo. O plano é desintermediar a relação das empresas com o estado. O contador, que historicamente sempre fez parte da coletoria de impostos, que cada vez mais carrega o peso do estado, seja nas obrigações, como foi com o Sped, com o E-Social, está sendo desintermediado com a chegada da reforma tributária”, afirmou no Instagram.

Ele argumenta que a apuração assistida permite a apuração de débitos e créditos dos novos tributos sem a participação do contador, de forma automatizada e conduzida diretamente pela tecnologia disponibilizada pelo governo:

“O governo está comemorando isso como se fosse algo bom para o país e para as empresas. Como se os profissionais contábeis não fossem importantes para o negócio”.

Nery reforçou que os contadores sempre foram os “mentores” dos empresários, além de implementar as novidades do governo.

Maria Carolina Gontijo, conhecida nas redes sociais como ‘Duquesa de Tax’, também criticou o posicionamento de Haddad. Para ela, não faz sentido conviver com dois sistemas tributários simultaneamente, durante 6 anos, diminuindo a remuneração do setor contábil:

“Nem o ministro da Fazenda entendeu o que significa a simplificação da reforma tributária. Ele está achando que essa simplificação significa pagar menos para o contador”, disse.

Para ela, simplificação significa contar com obrigações acessórias mais claras, redução de retrabalho e uma atuação mais estratégica por parte do contador e do advogado tributarista. Segundo Gontijo, essas classes estão “carregando a reforma tributária nas costas”, enxergando os problemas: “Elegeram os vilões aqueles que estão fazendo a reforma acontecer”, disse, criticando também a recente fala do prefeito de Goiânia.


Revista da Reforma Tributária

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