
Por Gabriel Benevides, de Brasília
O governo federal anunciou nesta 6ª feira (27.fev.2026) que vai zerar o II (Imposto de Importação) para 105 dos mais de 1.200 produtos que tiveram aumento na alíquota no início do mês.
Além disso, outros 15 itens ficarão com os percentuais que tinham antes da elevação do tributo. Dentre eles, estão os smartphones, que retomaram a cobrança de 16% de II em vez dos 20% propostos em fevereiro. O aumento da carga sobre os aparelhos importados havia gerado uma reação negativa, especialmente nas redes sociais.
Além dos celulares, CPUs (Unidade Central de Processamento, em português) deixaram de ter a alíquota de 7,2% e retomaram a carga original, que também era zerada.
A decisão foi tomada no âmbito do Gecex (Comitê-Executivo de Gestão), núcleo executivo colegiado da Camex (Câmara de Comércio Exterior). As alterações valem a partir da publicação da nova resolução no Diário Oficial da União. A redução a zero das alíquotas dos 105 produtos veio a pedido das empresas que fizeram as solicitações até 25 de fevereiro.
Leia abaixo a lista de produtos que tiveram a cobrança zerada e aqueles com carga reduzida ao valor original:
A assessoria de imprensa do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) disse não ter as estimativas de impacto fiscal porque as decisões sobre o II não têm como fim o aumento da arrecadação.
ENTENDA A ALTA NO II
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou em 4 de fevereiro de 2026 a alíquota de importação sobre diversos produtos –incluindo smartphones, máquinas industriais e meios de transporte.
A medida vale para bens de capital, além de bens de informática e telecomunicações. Ainda incide sobre mais de 1.000 produtos mesmo após o recuo desta 6ª feira.
Em resumo, as principais mudanças foram as seguintes:
- Bens com alíquotas abaixo de 7,0% – Ficam com mínimo de 7,0%.
- Bens com alíquotas acima de 7,0% até 12,6% – Ficam com mínimo de 12,6%.
- Bens com com alíquota acima de 12,7% até 20,0% – Ficam com mínimo de 20,0%.
Mas há exceções: diversos produtos ficaram com uma alíquota intermediária entre as faixas previstas.
A resolução que oficializou as regras (nº 852 de 2026) foi assinada pelo vice-presidente e ministro do Comércio, Geraldo Alckmin (PSB). Também deixa claro que “não altera a regra de tributação para produtos do setor aeronáutico”.
O movimento veio mesmo quando o Brasil é um dos alvos do tarifaço dos Estados Unidos –amplamente criticado pela gestão de Lula. O aumento das tarifas de importação estadunidenses foi barrado pela Suprema Corte do país em 20 de fevereiro.
O presidente norte-americano Donald Trump prometeu que editará um novo decreto restabelecendo as alíquotas.



