Redução do ICMS sobre diesel é improvável

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Bandeiras dos estados na Esplanada dos Ministérios – Foto: Rafa Neddermeyer via Agência Brasil

Por Gabriel Benevides, de Brasília

Relatos ouvidos pelo Portal da Reforma Tributária indicam que os secretários de Fazenda estaduais dificilmente aprovariam renúncias de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para o diesel.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) zerou tributos federais sobre o combustível na 5ª feira (12.mar.2026) e sinalizou que os governadores deveriam seguir um caminho parecido com o ICMS, que é estadual. O objetivo é suavizar o preço dos combustíveis por causa da guerra entre Estados Unidos e Irã.

“Eu quero dizer para vocês: vamos fazer tudo o que for possível e, quem sabe, esperar até a boa vontade dos governadores dos estados, que podem reduzir um pouco o ICMS”, declarou o petista.

Ocorre que o ICMS sobre os combustíveis representa uma das maiores fontes de arrecadação das unidades da Federação. Seria necessária unanimidade dos secretários de Fazenda para que a medida fosse implementada.

Há uma análise entre os técnicos estaduais de que a redução do ICMS não reduziria automaticamente os preços, que dependem também da política de preços dos postos.

Outra avaliação é de que haveria uma redução na prestação dos serviços públicos por causa da queda na arrecadação.

Ou seja, seria uma grande surpresa caso os estados mudassem de opinião e diminuíssem a carga de ICMS. Posicionamentos oficiais devem sair nos próximos dias.

ANO ELEITORAL

Este é mais um ano eleitoral em que um presidente da República defende a redução do ICMS sobre um combustível e reduz tributos federais. 

Jair Bolsonaro (PL) apoiou a aprovação de propostas para baixar o preço de combustíveis em 2022. As ações do ex-presidente em relação ao imposto estadual foram mais amplas do que o pedido realizado por Lula na 5ª feira. 

Uma lei (LC nº 192 de 2022) padronizou o ICMS e outra (LC nº 194 de 2022) limitou o imposto em produtos considerados essenciais, como gasolina e diesel. A LC 192 também zerava o PIS/Cofins até o final de 2022.

O time do Lula 3 se afasta das comparações ao argumentar que as renúncias dos tributos federais são compensadas pelo aumento na alíquota de exportação do petróleo, também implementada no pacote para conter os preços.

Bolsonaro
O então Jair Bolsonaro votou em 2022 na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, no Rio de Janeiro – Reprodução: Tomaz Silva via Agência Brasil
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