Tax Professionals #4: Rômulo M. de Lavor

Rômulo M. de Lavor, coordenador de Políticas Tributárias na M. Dias Branco

Por Redação

Rômulo M. de Lavor, coordenador de Políticas Tributárias na M. Dias Branco, seguiu o caminho do direito tributário influenciado pelo pai, que atuava no judiciário do Ceará. Desde jovem, teve contato com o tema e com profissionais do setor, o que despertou seu interesse pela área. Com o tempo, passou a ver o tributário como um campo estratégico e desafiador para a carreira.

Antes mesmo de ingressar no curso de Direito, Rômulo já testava suas habilidades na contabilidade, experiência que considerou determinante. Os desafios técnicos, a lógica dos números e a conexão com o mundo empresarial o atraíram, reforçando a ideia de que o profissional tributário precisava ir além da formação jurídica tradicional:

“Fui fazer contabilidade e, na sequência, percebi que era algo que realmente me desafiava e me atraía pelos desafios que trazia de forma geral. Depois, decidi estudar direito para me complementar, já que, naquela época, se entendia que esse era o perfil mais completo para atuar na área tributária”, disse.

ALÉM DO DIREITO

Segundo Rômulo, a escolha por uma formação multidisciplinar não foi casual. Para ele, o direito tributário sempre exigiu uma leitura integrada do negócio, da economia, do social, política e dos números:

Então, foi a composição da área, a formatação da área técnica, unindo a contabilidade, os sistemas empresariais e os conhecimentos econômicos e financeiros, fechando na área jurídica. Isso acabou formando um profissional técnico, com bom gabarito”, explica.

Na avaliação dele, esse tipo de formação continua relevante, mas não é mais suficiente para quem deseja se destacar no cenário atual.

NOVAS EXIGÊNCIAS

Para Rômulo, a grande mudança dos últimos anos está na ampliação do conjunto de habilidades exigidas dos profissionais da área. A técnica segue sendo fundamental, mas precisa caminhar junto com outras competências.

Segundo ele, para se tornar um profissional de alto nível, é necessário desenvolver habilidades que vão além do que é ensinado na universidade ou nos livros.

Essas competências, explica, são adquiridas principalmente na prática e na vivência do dia a dia profissional, como resiliência, leitura de cenários e pessoas e compreensão de contextos, aspectos que não se aprendem em sala de aula.

FILOSOFIA

Rômulo destaca que alguns dos passos mais importantes da sua trajetória vieram justamente da busca por referências fora do campo técnico tradicional. O contato com a filosofia teve papel central nesse processo:

“Dois dos ‘sins’ mais importantes que eu dei na minha vida foram me desafiar na filosofia e na prática de kitesurf. Isso me preparou para uma outra percepção do mundo”, relata.

Ele avalia que esse tipo de aprendizado contribuiu para ampliar sua capacidade de análise e de tomada de decisão. São habilidades que não são ensinadas na universidade, na escola ou em cursos de MBA, como os chamados soft skills, entre eles resiliência, leitura de cenários e preparo emocional.

REFERÊNCIAS

Parte importante do amadurecimento profissional de Rômulo veio do contato com referências fora do universo técnico do direito. A filosofia teve papel central nesse processo, ajudando a ampliar sua visão de mundo e a forma como lida com os desafios da carreira.

O estoicismo, especialmente a partir dos ensinamentos de Marco Aurélio, aparece como uma base prática para o dia a dia na área tributária, ao reforçar valores como disciplina, autocontrole e clareza diante de situações adversas.

Leituras contemporâneas, como Sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han, contribuíram para uma visão mais crítica sobre produtividade excessiva e desgaste mental no ambiente corporativo. Já 365 Lições Estoicas funciona como um exercício constante de reflexão e aplicação desses conceitos na rotina profissional.

O cinema também faz parte desse repertório. Filmes como Gladiador são revisitados não apenas pelo entretenimento, mas pelas reflexões:

“Eu já vi Gladiador umas dez vezes. E sempre surgem novas reflexões, principalmente pela forma como o filme discute política, poder e liderança”, comenta.


Revista da Reforma Tributária

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