Por Enzo Bernardes
A transição prolongada e a convivência simultânea de dois sistemas tributários serão alguns dos maiores desafios da reforma, afirma Alexandre Kondo, CFO da Hitachi Energy:
“Antes de melhorar, a coisa vai piorar bastante do ponto de vista de atender os dois sistemas de tributação, o que era 100% válido até dezembro de 2025, com os impostos que a gente já conhece. Nos próximos anos, a transição envolve a progressão do aumento das alíquotas da CBS e do IBS, com a redução progressiva de outros impostos — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Toda essa complexidade da transição são as dores que nós vamos enfrentar”, afirmou o CFO em live exclusiva realizada pelo Portal da Reforma Tributária.
Na avaliação de Rodrigo Souza, Country Tax Manager da Hitachi Energy, a reforma ampliou significativamente a complexidade do dia a dia tributário: “O desafio maior da área tributária era sempre se manter atualizado”, afirmou.
Assim como Kondo, Souza destacou a complexidade de administrar, ao mesmo tempo, o regime tributário vigente e o que será implementado, ressaltando que os dois sistemas deverão coexistir de forma paralela ao longo dos próximos sete anos.
Desde a promulgação da Emenda Constitucional, a empresa passou a contar com um comitê interno dedicado ao acompanhamento do tema. Ainda assim, Souza observou que a velocidade das mudanças impõe desafios adicionais, especialmente diante de ajustes realizados no fim de 2025, o que dificulta manter todas as áreas permanentemente atualizadas.
A avaliação resume o cenário enfrentado pela Hitachi Energy com a implementação da reforma tributária, que prevê um longo período de transição e a coexistência entre o sistema atual e o novo modelo de tributação sobre o consumo.
Preparação antecipada
Para Alexandre, a importância da reforma tributária fez com que a empresa adotasse uma postura antecipada, iniciando os trabalhos relacionados ao tema há cerca de um ano. De acordo com o executivo, 2026 inaugura uma fase decisiva de testes práticos, com a empresa já envolvida em um trabalho intenso e preparada para iniciar, logo no primeiro mês, a etapa de validações com os campos IBS e CBS nas notas fiscais.
Embora atue majoritariamente no segmento de transmissão de energia, a companhia acompanha de perto os investimentos em toda a cadeia do setor elétrico: “Tanto necessidade ou investimentos adicionais na geração e na distribuição terão interface com a transmissão, que é o nosso mercado”, destacou Kondo.
Investimentos
Um dos principais desafios, segundo Kondo, foi demonstrar à matriz da companhia, localizada em Zurique, a real dimensão dos impactos da reforma, já que, embora haja o reconhecimento da complexidade do sistema tributário brasileiro, nem sempre se compreende a profundidade desse cenário. Para isso, executivos globais vieram ao Brasil:
“Nós passamos dois ou três dias explicando no detalhe o que é a reforma, o que seria a reforma tributária”, segundo o CFO, a compreensão do cenário foi fundamental para destravar recursos.
Além dos aportes em sistemas e no apoio de consultorias especializadas, a empresa avalia a necessidade de ampliar o quadro de profissionais, com a perspectiva de reforçar, nos próximos anos, a equipe responsável pela apuração de tributos.
Aprendizado
Souza alertou para os riscos de aguardar a regulamentação completa antes de agir: “Às vezes, você espera a chegada da regulamentação e ela acaba trazendo, basicamente, o que já está copiado da lei complementar ou do PLP aprovado agora em 2024. Então, o que pode vir de novas exigências? Talvez não venha nada, mas podem surgir outras demandas, como novos campos que passem a ser exigidos por meio de uma nova nota técnica em 2026”, disse.
Na avaliação do executivo, 2026 deve ser entendido como um período efetivo de aprendizado, já que não se trata apenas de uma fase de testes para a Receita Federal, mas também para as próprias empresas, que irão assimilar os novos procedimentos ao longo do processo.
Além disso, Souza reforçou que a reforma tributária deixou de ser um assunto limitado às áreas de planejamento e conformidade fiscal, passando a exigir o envolvimento de diferentes setores da empresa no processo de implementação.
De acordo com o executivo, a companhia vem apostando na criação de comitês, na realização de reuniões e no uso de exemplos práticos como estratégias para ampliar o engajamento interno.
Mesmo diante das incertezas, Kondo demonstrou confiança na preparação da empresa para a nova etapa, destacando que os esforços e a dedicação empregados garantem conformidade com tudo o que já foi regulamentado. Na avaliação do CFO, o principal avanço já pode ser observado internamente, com o tema passando a ocupar um espaço de maior relevância dentro da organização.



