
Por Enzo Bernardes
A C&A, uma das maiores multinacionais do varejo de moda, avança de forma acelerada na implementação dos sistemas necessários à reforma tributária do consumo. Para Thiago Figo, Head de Tax e Legal da C&A Brasil, a participação no programa piloto da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), conduzido pela Receita Federal, representa uma oportunidade estratégica para a companhia.
O programa piloto da CBS foi instituído pela Receita Federal com o intuito de testar e aprimorar os sistemas e processos relativos ao tributo, que deve entrar em vigor de forma total apenas em 2027. O Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) foi o grande aliado do Fisco nesse processo, que contou com a participação de aproximadamente 500 empresas.
Em relato ao Portal, ele explicou que a transição para o novo modelo tributário representa a maior transformação do sistema fiscal brasileiro em décadas e terá impactos profundos sobre o varejo, setor marcado por alta capilaridade e elevada complexidade operacional:
“Contribuir desde o início significa ajudar a assegurar uma transição eficiente para todo o país. Ao integrar o piloto, conseguimos antecipar ajustes essenciais: testar sistemas, revisar processos, treinar equipes e preparar fornecedores, podendo propor ajustes que só é possível identificar na prática”, explica.
Ele argumenta ainda que essa preparação antecipada reduz riscos, garante estabilidade operacional e protege a experiência do consumidor quando o novo modelo entrar em vigor:
“Poder participar do piloto é a oportunidade de se preparar efetivamente e a ajudar a construir o futuro tributário do Brasil, e esse futuro precisa ser simples, previsível e eficiente, algo que só se alcança com a colaboração entre setor privado e administração tributária, razão pela qual entendemos que esse Piloto é fundamental”, disse.

PARTICIPAÇÃO DECISIVA
Para o presidente do Serpro, Wilton Mota, a participação das empresas nos testes da CBS em 2026 é decisiva para garantir uma transição segura, previsível e tecnicamente madura para o novo modelo de tributação sobre o consumo:
“Testar o sistema com antecedência permite que regras, fluxos e integrações sejam validados em cenários reais de negócio, com diferentes perfis de contribuintes, volumes de documentos e situações operacionais que não seriam plenamente captados apenas por simulações internas”,disse ao Portal da Reforma Tributária.
Segundo Mota, os testes antecipados fortalecem a plataforma e reduzem o risco de falhas. Para as empresas, permitem adaptação gradual e preparação de processos, sistemas e equipes:
“Em uma transformação estrutural como a reforma tributária, testar antes é garantir estabilidade depois. É assim que o Estado brasileiro constrói soluções digitais críticas com responsabilidade, segurança e foco na continuidade dos serviços públicos”, disse.

APLICAÇÃO
Durante o evento que marcou o lançamento da Plataforma da Reforma Tributária, desenvolvida pelo Serpro, e a sanção da Lei nº 227/2026, que institui o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), o CEO da ROIT, Lucas Ribeiro, apresentou a plataforma e demonstrou as apurações realizadas pela C&A:
“Isso (a apuração demonstrada diretamente na plataforma) decorre das notas que estão sendo emitidas, praticamente em tempo real. Visualizar a composição dos créditos e débitos, de forma totalmente automática, é algo incrível para o país e para as empresas”, explicou.

Revista da Reforma Tributária
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