As novas portas que reforma tributária abre para as carreiras fiscais

Rodrigo Spada, Auditor Fiscal da Receita Estadual de São Paulo

Por Rodrigo Spada

É natural que, no debate público, a Reforma Tributária seja abordada com mais frequência a partir de seus efeitos mais imediatos e gerais: a criação de novos tributos, a extinção de outros, as mudanças de alíquotas e os impactos no preço de bens e serviços. Há questões de interesse mais restrito, entretanto, que também merecem nossa atenção. Ao redesenhar o sistema de arrecadação do país, a Reforma também está dando novas possibilidades do futuro das carreiras ligadas à área fiscal, nos setores público e privado. 

Há mais de dez anos, no Movimento VIVA, capitaneado pela Associação dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de São Paulo, constatamos que a imagem pública de nossa carreira estava desgastada não por questões corporativas ou administrativas, mas por problemas do própio sistema tributário. O modelo brasileiro, especialmente a lógica do ICMS, tornara-se tão complexa, litigiosa e disfuncional que prejudicava a economia, onerava o contribuinte e, consequentemente, deteriorava a própria imagem do Fisco perante a sociedade. O auditor deixava de ser visto como agente de justiça fiscal para ser percebido como parte de um sistema confuso e hostil. Compreender essa distorção foi decisivo para mim. Ali ficou claro que modernizar o sistema tributário não era apenas uma pauta técnica, era também uma agenda de reconstrução institucional e de reposicionamento da própria carreira fiscal. 

Agora, com a adoção de um modelo de IVA Dual, com integração tecnológica, padronização de procedimentos, compartilhamento de informações entre entes federativos e novas formas de fiscalização, estamos diante de uma mudança de paradigma que enseja um reposicionamento dos operadores do sistema tributário. Alterações dessa magnitude não se sustentam apenas com leis bem escritas; dependem, sobretudo, de pessoas preparadas para operá-los com competência técnica, visão sistêmica e responsabilidade institucional.

Sempre que o Estado brasileiro deu um salto de modernização na administração tributária, houve um impacto direto na demanda por profissionais qualificados. Foi assim com a informatização das obrigações acessórias, com a consolidação do SPED e com o fortalecimento das estruturas de fiscalização baseadas em inteligência de dados. Agora, o movimento é mais amplo e mais profundo. 

Nesse contexto, o perfil tradicionalmente associado à área fiscal – centrado quase exclusivamente na memorização de normas – mostra-se insuficiente. O novo sistema demanda capacidades analíticas, domínio de tecnologia, compreensão econômica e habilidade de diálogo com diferentes setores da sociedade. O profissional fiscal, seja auditor fiscal, contador ou advogado tributarista, passa a ser, cada vez mais, um agente de inteligência do Estado e do setor privado, alguém que trabalha com dados, avalia riscos, e contribui para um ambiente de negócios mais estável e transparente. Trata-se de uma função que combina técnica, responsabilidade institucional e impacto direto na vida coletiva.

Para estudantes, recém-formados, concurseiros ou profissionais em transição de carreira, esse cenário representa uma oportunidade histórica. Em momentos de transição estrutural, surgem espaços que não existiam antes. Novas funções são criadas, especializações ganham relevância e o mercado passa a buscar pessoas preparadas para compreender o novo desenho institucional. Administrações tributárias, órgãos de controle, empresas de tecnologia, consultorias e departamentos fiscais de grandes organizações já sentem essa necessidade.

Se você quer transformar essa mudança em um plano concreto de carreira, prepare-se com método e direção. No site Futuro Tributário, você encontra orientação prática para organizar seus estudos, entender o mercado e entrar na área fiscal com estratégia. Acesse.


Rodrigo Spada é Auditor Fiscal da Receita Estadual de São Paulo e presidente da Febrafite (Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais) e da Afresp (Associação dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de São Paulo). Formado em Engenharia de Produção pela UFSCar e em Direito pela Unesp, com MBA em Gestão Empresarial pela FIA.


Os artigos escritos pelos “colunistas” não refletem necessariamente a opinião do Portal da Reforma Tributária. Os textos visam promover o debate sobre temas relevantes para o país.


Revista da Reforma Tributária

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