LC 224: vilão ou alerta? A decisão é sua

Foto via Freepik

Por Rico Chermont

Nos últimos meses, muita gente comentou sobre a Lei Complementar 224 e o corte de 10% nos benefícios fiscais federais.

Não é mais novidade. Mas também não é assunto superado.
Tecnicamente, o corte é esse mesmo.

Na prática, o impacto continua sendo maior do que o número.

O que sempre me chamou atenção não foi o percentual em si, foi o efeito em cadeia. Porque tributo raramente fica parado em quem paga primeiro. Ele se movimenta. Passa por fornecedor, distribuidor, indústria, varejo até aparecer onde realmente dói: preço, margem, fluxo de caixa e competitividade.

O risco nunca foi pagar um pouco mais de imposto.
O risco é continuar tomando decisões como se nada tivesse mudado.

É precificar com base em premissas antigas.
É olhar só para o próprio CNPJ e ignorar o que está acontecendo na cadeia.

É acreditar que não te afeta até a margem começar a encolher sem ninguém conseguir explicar exatamente por quê.

Tem empresa que sentiu isso direto.
Tem empresa que absorveu via fornecedor.

E tem empresa que só está percebendo agora, quando o número já não fecha com o mesmo conforto de antes.

Outro ponto importante:

A LC 224 antecipou discussões que muita gente achava que só teria em 2027, com a transição completa da Reforma. Revisar preço. Rever modelo. Entender o custo real. Recalcular margem. Ajustar contrato. Repensar estratégia comercial.

O que parecia distante ficou imediato.
E isso, na minha visão, não é só pressão.
É um teste de maturidade.

Nunca ficou tão evidente que tributo não é só obrigação acessória. Ele influencia decisão, posicionamento, negociação e crescimento. Quem consegue traduzir impacto fiscal em impacto de negócio ganha voz na mesa estratégica.

É o tipo de cenário que separa quem apura imposto de quem entende como o imposto molda resultado. A LC 224 acelerou um movimento que já estava em curso: tratar tributo como variável estratégica.

E como quase tudo no mundo dos negócios, isso pode virar dor ou vantagem.
A diferença está em quem decide medir.

Porque quando a margem começa a oscilar, ao invés de perguntar quanto imposto aumentou, pergunta onde exatamente o efeito começou?

E é aí que entra um ponto que tenho discutido com alguns players: antes de falar de planejamento ou otimização, você precisa enxergar.

O Tax também precisa ser data driven. Ser baseado em dados.

Enxergar onde o impacto está acontecendo. Em qual produto? Em qual operação? Em qual elo da cadeia?

Sem essa clareza, qualquer decisão vira tentativa.

Por isso, talvez a discussão agora já não seja mais sobre a LC 224 em si.

Talvez seja sobre o quanto a sua empresa realmente entende a própria dinâmica fiscal. E descobrir isso antes da próxima mudança pode ser o que separa ajuste pontual de perda estrutural.Isso não é sobre apuração. É um passo atrás.

É sobre diagnóstico.


Rico Chermont é CRO e sócio da ROIT, onde lidera as áreas de Marketing, Vendas, Customer Success e Parcerias. Com mais de 20 anos de experiência em marketing e vendas B2B, atua na interseção entre estratégia de negócios, tecnologia e os impactos da Reforma Tributária no ambiente corporativo.


Os artigos escritos pelos “colunistas” não refletem necessariamente a opinião do Portal da Reforma Tributária. Os textos visam promover o debate sobre temas relevantes para o país.


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