Fim da 6×1 elevará custo do trabalho em até 22%; congressistas querem debate mais qualificado

A presidente interina da Frente Parlamentar Pelo Livre Mercado, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) – Foto via FPLM

Por Douglas Rodrigues

A redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas elevará o custo unitário do trabalho em 10%, podendo chegar a 22% se for de 36 horas. É o que mostra estudo dos pesquisadores José Pastore, André Portela e Eduardo Pastore.

O documento foi apresentado a jornalistas em Brasília, na noite de 2ª feira (2.mar.2026). O encontro contou com a presença dos presidentes das maiores frentes parlamentares que representam o setor produtivo.

Diante dos dados, os congressistas articulam um debate mais qualificado sobre como flexibilizar a jornada sem reduzir direitos e sem aumentar o custo para as empresas. O governo Lula quer que o tema seja pautado no Plenário da Câmara e do Senado neste semestre -antes da eleição.

O Portal da Reforma Tributária ouviu de congressistas da oposição que o melhor caminho seria deixar a votação para depois da eleição, pois um novo ciclo de governo teria mais força para fazer mudanças. Agora, segundo eles, o governo não está contabilizando as consequências da medida, que tem forte apelo popular, mas alto custo para o mercado de trabalho. Para as bancadas, há um “viés eleitoreiro”.

“Empresários e trabalhadores não estão em um ringue de luta. O lado de todos é o do trabalho, contra a carga de impostos e contra a dificuldade de produzir no país”, disse Bia Kicis(PL-DF), presidente interina da Frente pelo Livre Mercado.

Os projetos que buscam reduzir a jornada de trabalho por PEC ou lei ordinária têm baixa probabilidade de gerar emprego, mas têm alta probabilidade de conquistar votos dos eleitores, avalia Eduardo Pastore.

O presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), disse que o melhor é não votar agora –não por conforto do voto individual– mas para os congressistas terem o impacto real da medida do ponto de vista estruturante.

Diante do impasse, as dezenas de associações empresariais lançaram um manifesto pedindo que o aprofundamento desta pauta
“ocorra fora do ambiente de disputas eleitorais, em momento mais propício à construção de consensos duradouros e de soluções equilibradas, evitando que decisões pressionadas possam comprometer a qualidade de políticas públicas e seus efeitos sobre o país”. Leia aqui.

Abaixo, algumas fotos do encontro:

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