
Por Leonardo Alexandre, de São Paulo
A reforma tributária deve mudar a forma como a Receita Federal se relacionam em relação à fiscalização, segundo especialistas que participaram de um painel do 10º FIT (Fórum Internacional da Tributação) na 4ª feira (2.set.2026).
Auditor fiscal de Goiás, João Arlindo Gusmão disse que a fiscalização atual se debruça principalmente sobre a escrita fiscal (notas fiscais e declarações).
Segundo ele, o centro das atenções passa a ser a contabilidade completa da empresa após a reforma tributária. Ou seja, voltará aos registros de caixa, bancos, estoque e dívidas – não só ao conteúdo das notas.
“Se o Fisco auditasse hoje a contabilidade da sua empresa, ela resistiria?”, questionou Gusmão.
O auditor citou o artigo 335 da 1ª lei de regulamentação da reforma (LC 214 de 2025). O trecho lista situações contábeis como presunção de omissão de receita.
Nesses casos, cabe à própria empresa provar que não houve sonegação, e não ao Fisco provar o contrário. A recomendação de Gusmão é que as empresas usem inteligência artificial para monitorar a própria contabilidade diariamente, e não apenas no fechamento mensal.
Marcos Flores, auditor da Receita Federal, declarou que um dos enganos mais comuns é achar que o destaque do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) nos documentos fiscais só ficou obrigatório em agosto.
Destacar tributos significa mostrar na própria nota fiscal quanto de IBS/CBS é cobrado em uma operação. A informação permite ao comprador aproveitar o valor como crédito tributário.
Flores afirmou que a obrigação de fazer esse destaque vale desde janeiro deste ano, embora a fiscalização ainda não esteja punindo quem não cumpre.
“Já estamos com 85% dos documentos fiscais com o destaque. Os nossos retardatários são só 15%”, declarou.
O auditor recomendou que as empresas consultem a plataforma de apuração assistida da Receita Federal, ferramenta que mostra se documentos fiscais e fornecedores já têm o destaque correto dos novos tributos.
Flores disse que o documento de fornecedor sem o destaque significa crédito perdido para quem compra. Recomendou ainda que as empresas revisem preços, contratos e custos por causa da reforma.
O Fisco já avisou aos contribuintes que não preencheram os destaques da CBS nos documentos fiscais.
Flores disse acreditar que a reforma aproxima o Brasil de um modelo mais cooperativo entre Fisco e contribuintes. Isso porque os sistemas usados pelas empresas para emitir notas e apurar tributos são conectados diretamente à própria Receita.
Para Marcos Flores, a dinâmica reduz a chance de erro e facilita a fiscalização.“Eu realmente acredito que a reforma nos leva para a administração tributária 3.0”, afirmou.
O 10º FIT (Fórum Internacional da Tributação) foi realizado em São Paulo pelo Iepe (Instituto de Estudos e Pesquisas Estratégicas), pela FBT (Faculdade Brasileira de Tributação) e pela Conceito Seminários.
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