Reforma tributária muda dinâmica de fiscalização da Receita, dizem auditores

Na imagem, da esquerda para a direita, Daniela Lara (sócia no Rolim Goulart), Marcos Flores (auditor da Receita) e João Arlindo Gusmão (auditor de Goiás)

Por Leonardo Alexandre, de São Paulo

A reforma tributária deve mudar a forma como a Receita Federal se relacionam em relação à fiscalização, segundo especialistas que participaram de um painel do 10º FIT (Fórum Internacional da Tributação) na 4ª feira (2.set.2026).

Auditor fiscal de Goiás, João Arlindo Gusmão disse que a fiscalização atual se debruça principalmente sobre a escrita fiscal (notas fiscais e declarações). 

Segundo ele, o centro das atenções passa a ser a contabilidade completa da empresa após a reforma tributária. Ou seja, voltará aos registros de caixa, bancos, estoque e dívidas – não só ao conteúdo das notas.

“Se o Fisco auditasse hoje a contabilidade da sua empresa, ela resistiria?”, questionou Gusmão.

O auditor citou o artigo 335 da 1ª lei de regulamentação da reforma (LC 214 de 2025). O trecho lista situações contábeis como presunção de omissão de receita.

Nesses casos, cabe à própria empresa provar que não houve sonegação, e não ao Fisco provar o contrário. A recomendação de Gusmão é que as empresas usem inteligência artificial para monitorar a própria contabilidade diariamente, e não apenas no fechamento mensal.

Marcos Flores, auditor da Receita Federal, declarou que um dos enganos mais comuns  é achar que o destaque do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) nos documentos fiscais só ficou obrigatório em agosto. 

Destacar tributos significa mostrar na própria nota fiscal quanto de IBS/CBS é cobrado em uma operação. A informação permite ao comprador aproveitar o valor como crédito tributário. 

Flores afirmou que a obrigação de fazer esse destaque vale desde janeiro deste ano, embora a fiscalização ainda não esteja punindo quem não cumpre.

“Já estamos com 85% dos documentos fiscais com o destaque. Os nossos retardatários são só 15%”, declarou.

O auditor recomendou que as empresas consultem a plataforma de apuração assistida da Receita Federal, ferramenta que mostra se documentos fiscais e fornecedores já têm o destaque correto dos novos tributos. 

Flores disse que o documento de fornecedor sem o destaque significa crédito perdido para quem compra. Recomendou ainda que as empresas revisem preços, contratos e custos por causa da reforma. 

O Fisco já avisou aos contribuintes que não preencheram os destaques da CBS nos documentos fiscais. 

Flores disse acreditar que a reforma aproxima o Brasil de um modelo mais cooperativo entre Fisco e contribuintes. Isso porque os sistemas usados pelas empresas para emitir notas e apurar tributos são conectados diretamente à própria Receita.

 Para Marcos Flores, a dinâmica reduz a chance de erro e facilita a fiscalização.“Eu realmente acredito que a reforma nos leva para a administração tributária 3.0”, afirmou.

O 10º FIT (Fórum Internacional da Tributação) foi realizado em São Paulo pelo Iepe (Instituto de Estudos e Pesquisas Estratégicas), pela FBT (Faculdade Brasileira de Tributação) e pela Conceito Seminários.


Vá além da notícia e entenda como essa mudança pode impactar sua empresa, seus clientes ou sua rotina profissional.

  • IA treinada com nosso acervo
  • Monitor automático de notas técnicas
  • Revista, cursos e conteúdos exclusivos
  • Teste gratuito por 7 dias

→ Conhecer a plataforma.

Rolar para cima