
Por Gabriel Benevides, de Brasília
Só 13,5% das pessoas beneficiadas pela redução do Imposto de Renda em 2026 dizem que o dinheiro da economia serviu para aumentar o consumo, segundo pesquisa da consultoria Plano CDE.
A maioria dos entrevistados (51,9%) afirma que a renda serviu para bancar despesas básicas. Outros 32,1% declaram que vão guardar ou poupar o dinheiro, enquanto 28,2% querem pagar dívidas. As respostas são múltiplas, ou seja, os respondentes podem dar mais de uma opção.

À época da tramitação do projeto de lei que eleva a isenção do IR até R$ 5.000, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizia que uma das consequências diretas seria o aumento do consumo.
Esse seria, segundo a equipe econômica, um das formas de compensar a perda de arrecadação dos estados e municípios por causa da queda no repasse da tributação sobre a renda do funcionalismo aos entes.
“Apesar da redução na retenção de IR na fonte, estados e municípios se beneficiaram do aumento da massa salarial recebida pelos trabalhadores e do consumo”, disse o Ministério da Fazenda em um documento de perguntas e respostas publicado em 18 de março de 2025.
A pesquisa foi realizada de 19 a 25 de fevereiro de 2026 com 1.000 trabalhadores de 18 anos ou mais que tinham renda tributada na fonte entre R$ 3.036 e R$ 7.350 –faixa beneficiada pela nova isenção.
As entrevistas foram feitas por questionário estruturado em painel on-line, com margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
EM REAIS
O levantamento também questionou quanto foi a redução na cobrança do Imposto de Renda. A maior fatia dos contribuintes (41,4%) dizem que o valor variou de R$ 100 a R$ 200.
Outros 38,2% declaram ter alívio de menos de R$ 100. Só 1,4% afirmaram ter sido beneficiados com mais de R$ 500.

No aspecto subjetivo, 44,8% dos entrevistados dizem que a redução no IR fez “muita diferença”. Já 37,8% afirmam fazer “alguma diferença”.

POLÍTICA
Uma parcela significativa dos entrevistados liga a nova isenção do Imposto de Renda ao governo Lula, de forma direta ou indireta. Um total de 37,5% coloca a gestão do petista como a responsável direta pelas novas regras.
Outros 17,1% associam aos deputados e senadores governistas, enquanto 15,3% dão crédito ao Ministério da Fazenda de Fernando Haddad. Só 9,7% atribuem a isenção a congressistas de oposição.

Do ponto de vista eleitoral, a pesquisa indica que haverá impactos: 42,1% dizem que “com certeza” votariam em candidatos que apoiaram as mudanças no Imposto de Renda. Já 39,9% declaram que não haverá influência nos votos.




