Por Enzo Bernardes
A BB Tecnologia e Serviços -empresa de tecnologia do Banco do Brasil, começou a se estruturar para a reforma ainda durante a fase de discussão da Emenda Constitucional 132/2023. A empresa dedicou uma equipe exclusiva para tratar do tema, conduzida por José Sá — mais conhecido como Jota — superintendente da empresa:
“Eu tive a honra de ficar como líder nessa frente, onde um projeto tributário foi destacado para isso. E na empresa, o primeiro ponto é a mudança de mentalidade, principalmente as pessoas que lidam com a tributação, porque estamos muito acostumados a um retrospecto, olhar para trás”, disse.
Ele destacou que o desafio agora é mudar o foco para o futuro, ir além da rotina diária e pensar de forma diferente. Isso exige lidar com a realidade atual, reconhecer que o processo ainda é complexo e que a transição será longa, ao mesmo tempo em que se tenta antecipar o que vem pela frente, em um cenário marcado por muitas incertezas.
A declaração foi feita durante mais uma edição do podcast Tax Capital, do Portal da Reforma Tributária, mediado pelo editor-chefe Douglas Rodrigues e com participação da CFO da ROIT e tributarista, Caroline Souza.
DESAFIO
Com quase 19 anos de atuação na área tributária, Jota avaliou que o momento atual está entre os mais desafiadores de sua trajetória profissional. Segundo ele, a reforma tributária representa uma mudança profunda, que altera de forma significativa a rotina e exige dos profissionais a adaptação a um cenário completamente novo:
“ Está sendo bastante desafiador enquanto profissional e, obviamente, para a empresa também”, explica.
Na BB Tecnologia e Serviços, o enfrentamento da reforma foi estruturado a partir de três eixos principais: tecnologia, processos e negócios. O trabalho começou pela adaptação dos sistemas, mas avançou para a revisão de contratos, rotinas internas e modelos de negócio. Segundo ele, a mudança exige uma nova postura dos profissionais da área
A necessidade de adaptação, segundo Jota, é inadiável:
“O contador, o profissional da área tributária que atuava até 2024, tem que mudar. Se não mudar, vai ficar para trás. Então, o sentimento lá da empresa é esse: fazer com que as pessoas, de fato, compreendam que a reforma tributária é uma realidade e que precisam, enfim, buscar conhecimento e pensar diferente. Então, em linhas gerais, é basicamente o sentimento que a gente tem lá na empresa”, disse.
Mesmo com aspectos centrais da reforma ainda indefinidos, como a alíquota de referência, ele avalia que as empresas não podem adotar uma postura de espera. Na sua visão, apesar das incertezas, o processo já está em andamento e exige movimento, pois deixar de avançar pode significar ficar para trás.
Caroline também ressaltou os impactos já percebidos no dia a dia das empresas. Segundo ela, apesar de a Emenda Constitucional ter sido aprovada em 2023, muitas organizações passaram a se movimentar de forma mais intensa apenas recentemente:
“Tem empresas mais preparadas, tem empresas menos preparadas, mas o fato é que esse ano vai ser um ano de muita intenção, de fato, em se preparar para 2027. Mas já trabalhando com a vida real, que é ter os documentos adequados, o ERP preparado e começar a pensar na conciliação das 5 verdades”, afirmou Caroline.
Ela comentou também que a apuração do IBS e da CBS tem se mostrado mais complexa do que o esperado, especialmente para empresas que participam dos dois projetos-piloto.
Segundo relatos, havia a expectativa de que os dois tributos fossem muito semelhantes, o que não vem se confirmando na prática, já que as bases apresentam diferenças. Diante disso, destacou o desafio de conciliar essas apurações com documentos fiscais eletrônicos, registros e informações bancárias, ressaltando que enfrentar esse cenário sem o apoio da tecnologia se torna bastante difícil.
Outro desafio apontado foi a escassez de profissionais qualificados para lidar com a integração entre tributação e tecnologia:
“Encontrar alguém disponível no mercado já é difícil, e, dependendo do ERP adotado, fica ainda mais complicado. Por isso, quem ainda não tem precisa correr atrás, e quem já tem deve segurar, porque o cenário tende a ficar cada vez mais difícil”, disse Jota.
Carol completou: “Já é um desafio ter uma pessoa que entenda de tributação e tecnologia. Se entender de contabilidade, então, é ouro”.
Na visão de Jota, a governança interna das empresas precisa evoluir junto com a complexidade da reforma. Para ele, a criação de comitês específicos, com a participação de executivos e lideranças de diferentes áreas, é fundamental para mostrar que a reforma tributária não se limita apenas ao setor tributário.
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