Bastidor: Setor aéreo internacional ganha espaço e governo ouve demandas sobre a reforma tributária

Por Gabriel Benevides, de Brasília

Há duas semanas, o governo deu mais espaço para ouvir o setor aéreo internacional sobre eventuais demandas relacionadas à reforma tributária, segundo apuração do Portal.

O segmento queria conversar com as autoridades públicas sobre o impacto que o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) trará nas passagens aéreas.

Até 3 semanas atrás, a percepção vigente era de que não havia diálogo e tudo indicava para uma judicialização, de acordo com relatos ouvidos pelo Portal da Reforma Tributária. Agora que o cenário mudou e as portas começaram a se abrir, as companhias internacionais aparentam estar mais aliviadas –mas ainda não podem comemorar eventuais vitórias.

Hoje, há isenção dos seguintes tributos nas passagens aéreas internacionais:

  • PIS (Programa de Integração Social)
  • Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social)
  • ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)
  • ISS (Imposto sobre Serviços)

Com a reforma, haverá tributação sobre parte das operações (ida de passageiros e chegada de cargas).Segundo o setor, as novas cobranças teriam um impacto significativo no preço dos serviços ofertados.

O CEO (presidente) da LATAM Airlines Brasil, Jerome Cadier, disse em evento em 23 de abril que o preço das passagens poderia aumentar em até 25%, por exemplo.

A ideia de uma eventual judicialização se embasaria em recomendações e acordos internacionais que determinam a desoneração sobre as passagens aéreas. Também seria levado em conta a previsão de que a reforma não onera exportações.

O tema já era controverso desde a aprovação da 1ª lei de regulamentação da reforma (LC 214 de 2025).  Houve tentativa de aprovar a isenção no Senado, mas não passou na época.

A interpretação de que o governo fazia descaso sobre o tema se intensificou ainda mais após a publicação de uma nota à imprensa da Receita Federal em 14 de abril após reportagens sobre o tema circularem na mídia.

O texto diz que “a composição do preço das passagens leva em conta diversos fatores –  entre eles, a tributação”. Ainda ressaltava que a aviação regional ficou com uma redução de 40% na alíquota padrão do regime diferenciado, o que não foi permitido para as companhias internacionais.

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