
Por Enzo Bernardes
A reforma tributária intensificou o processo de tomada de decisão para a substituição de sistemas ERP, afirmou o Solution Advisor Manager na SAP, Franklin Bruno. Segundo ele, as mudanças no sistema tributário se somaram a outros fatores que já impulsionavam os empresários a investir em inovação tecnológica, maior robustez operacional e melhores práticas de governança corporativa.
“Já que existe o interesse nesses outros temas, e agora com a questão da obrigatoriedade da reforma tributária, juntou-se tudo em um único movimento“, disse, em entrevista exclusiva ao Portal da Reforma Tributária.
Franklin afirma que o impacto de um ERP bem estruturado na adaptação à reforma tributária é direto. Segundo ele, as mudanças não se limitam à criação de novos tributos, mas alcançam toda a gestão dos processos de negócio — como compras, vendas e rotinas financeiras: “Todos esses processos são afetados pela reforma”.
Ele explica que, ao optar por um software de gestão empresarial, é fundamental que a solução esteja alinhada a essas mudanças e preparada para atender às novas exigências.
Franklin afirma que o ERP da SAP oferece uma base sólida para as empresas, funcionando como uma estrutura que orienta os processos no caminho correto e fortalece a governança corporativa. Segundo ele, organizações que optaram por utilizar o sistema para lidar com a reforma tributária estão confiantes de que tomaram uma decisão acertada.
PREPARAÇÃO
Na SAP, a preparação dos ERPs para o novo sistema tem focado principalmente no cálculo dos impostos, obrigações acessórias e a Nota Fiscal Eletrônica (NFe). Um dos pontos que levaram as empresas a optarem pela troca do ERP, afirma, é a convivência de dois modelos tributários de forma simultânea:
“Você vai ter oito anos de convivência entre o modelo antigo e o novo. Qual é o impacto disso? Algumas soluções de gestão empresarial, como os ERPs, acabam operando com bancos de dados separados, o que é muito complexo para o empresário. Imagine ter que fazer duas apurações e, depois, lidar com as compensações entre essas duas operações”, explica.
Ele explica que algumas empresas e fornecedores de software optaram por trabalhar com bases de dados separadas: uma para o sistema em implementação e outra para o modelo anterior.
No caso da SAP, porém, o modelo é diferente: a empresa utiliza um único motor de cálculo capaz de atender simultaneamente aos dois regimes. Segundo ele, isso traz ganhos relevantes para o usuário final, que consegue acompanhar, em tempo real, o comportamento dos tributos antigos e dos novos.
Ele afirma que os tributos são contabilizados simultaneamente, dentro da mesma estrutura contábil, o que considera um grande diferencial. Segundo ele, à medida que os impostos antigos forem sendo substituídos pelos novos, com maior peso nas alíquotas, essa transição tende a ocorrer de forma transparente para as empresas que utilizam a solução da SAP:
“Você basicamente vai precisar apenas ajustar a alíquota, sem a necessidade de grandes configurações, parametrizações ou conciliações de dados. Isso representa um ganho significativo. E é justamente essa simplificação na operação que leva muitas empresas a buscar esse tipo de solução”.
Ele afirma que esse tipo de sistema também se destaca pela robustez e escalabilidade. Como exemplo, explica que uma transação simples de venda, que hoje gera cerca de seis lançamentos contábeis, pode chegar a dez com a inclusão de tributos como CBS e IBS. Esse aumento praticamente dobra o volume de dados nas tabelas de armazenamento e nos registros contábeis.
Segundo ele, surge a necessidade de avaliar se o software adotado tem capacidade para suportar essa maior volumetria e manter o desempenho. Nesse contexto, destaca que soluções mais robustas e escaláveis tendem a oferecer maior segurança, governança e capacidade de crescimento, fatores que têm levado muitas empresas a buscar esse tipo de sistema.
A adoção de Inteligência Artificial (IA) também é relevante. Segundo ele, nem todos os softwares disponíveis no mercado estão, de fato, preparados para operar com essa tecnologia.
Por fim, ele cita a gestão do fluxo de caixa como outro fator relevante. Segundo ele, com a apuração assistida e o desconto de tributos diretamente nas transações financeiras, as empresas precisam ajustar e planejar melhor seu caixa. Esse cenário, afirma, também tem levado organizações a buscar soluções mais preparadas para lidar com essas mudanças.
SETORES
A busca por trocas de ERPs não se restringem a setores específicos, ocorrem de maneira geral:
“Não existe uma limitação de setor econômico e muito menos de tamanho de empresa. São empresas gigantescas, multinacionais, que estão em franco crescimento. Então, você tem empresas de todo tamanho, pequena, média, grande”.
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