
Por Douglas Rodrigues, de São Paulo
O ERP vai ganhar peso com a chegada da inteligência artificial às empresas. A avaliação é de Rodrigo Sartorio, diretor de Produtos da TOTVS e responsável pela Linha Protheus. Para ele, é no sistema de gestão que ficam as regras de negócio, os dados e os processos de que a IA precisa para dar respostas mais precisas.
Sartorio conversou com o Portal da Reforma Tributária durante o Universo TOTVS, realizado no Expo Center Norte, em São Paulo. Na entrevista, ele detalhou os recursos de IA que a empresa leva ao Protheus. Também falou das incertezas que ainda pesam sobre a parametrização dos sistemas para a reforma tributária.
Portal RT: Uma novidade que vocês estão trazendo neste evento é que, nos próximos ciclos, nos próximos trimestres, as empresas vão ter acesso a agentes de IA dentro do sistema de vocês. Como é isso? E, para a Linha Protheus, em que você atua, tem alguma novidade?
Sartorio – A gente está tentando aplicar a IA onde faz sentido. Então, a gente tem inteligência artificial preditiva no Protheus, que é uma solução gratuita, chamada Protheus Insights. Ele traz insights de negócio. Ele analisa os dados dos clientes e traz visões processadas com o uso de IA para prevenir. Aqui você vai ter uma quebra de estoque, no seu fluxo de caixa vai sobrar ou vai faltar dinheiro. Então, a gente começou com essa inteligência artificial preditiva.
Na inteligência artificial generativa, a gente está lançando agora um assistente, que basicamente é um prompt onde você conversa em linguagem natural com o sistema e fala “gostaria que você me falasse qual produto mais vendeu, qual é a tendência de vendas para os próximos meses, como está meu estoque”. O assistente tem uma autonomia baixa, ele é reativo. Mas essa é a interface de que todo mundo gosta, como se você estivesse conversando com o ChatGPT, com o Gemini.
E o agente é o grau de sofisticação maior, em que a inteligência artificial é autônoma. Você programa algumas regras e o agente fica ali trabalhando 24 por 7. Ele efetivamente substitui o humano em uma determinada atividade, bem específica, para liberar tempo.
Vou dar um exemplo de um agente que a gente lançou no Protheus. A gente fez uma pesquisa e percebeu que, na cotação feita no Protheus, se você põe poucos fornecedores participantes, você não extrai o melhor dela. A competição é baixa. A gente entendeu que, se você tivesse uma ajuda da IA para colocar mais participantes numa cotação, tornaria essa competição melhor e teria uma redução, um saving nas compras. Então, a gente criou um agente de inteligência artificial que te ajuda a colocar fornecedores para disputarem uma cotação.
E a gente tem alguns dados que mostram que fazer isso traz uma economia significativa. A gente fez uma medição, por exemplo, em material descartável. Se você colocar mais participantes, pode economizar, em média, R$ 1.400 por mês, só de ter mais disputa.
Então, a gente está colocando esses três graus de sofisticação de inteligência artificial no produto. Uma inteligência artificial que traz insights para você, uma que reage quando você pede algumas coisas e uma mais autônoma, que faz coisas no seu lugar, que é o agente. Tudo isso a gente está colocando no produto.

Isso reforça o ponto de que muitas empresas utilizam uma linha de sistema para apenas uma parte do seu processamento, da sua operação. Como não há uma visão completa dentro daquele sistema, a IA pode ficar enviesada e não dar uma resposta tão acurada. Como você mesmo comentou, é necessário ter mais informações. Nessa janela, é uma tendência as empresas centralizarem tudo dentro de um sistema, a parte financeira, a parte operacional, para ter um nível de acurácia maior quando a IA estiver mais madura?
Sem dúvida. Se você tiver um volume maior de dados, e com qualidade maior, num único lugar, vai dar um contexto melhor para a IA, e ela vai te dar uma resposta mais assertiva. É igual a quando você usa o ChatGPT no seu uso pessoal. Se você falar “olha, a situação é essa” e colocar todo o contexto, tem uma resposta melhor.
Então, sem dúvida, quanto mais processos a empresa usar dentro do ERP, maior o número de dados e melhor a resposta. Por isso a gente acredita que o ERP é o centro de tudo. Lá é onde estão as regras de negócio, os dados, os processos desenhados. A gente acha que faz todo sentido o ERP ser a fonte central das informações.
Então o ERP não vai morrer, vai ficar mais relevante?
Exatamente, cada vez mais relevante. E liberando tempo, efetivamente, para as pessoas se dedicarem a coisas mais estratégicas. Essa é a nossa ideia.
Sobre a reforma, há dezenas de notas técnicas saindo, e existe principalmente uma insegurança sobre a base de cálculo dos novos tributos. As pessoas perguntam como parametrizar isso no ERP. Qual o conselho da TOTVS para as empresas que estão nessa fase de ajustes?
Essa pergunta é bem difícil de responder, porque tem algumas coisas que a própria legislação não deixa tão claras. A gente tem, por exemplo, algumas dúvidas com relação a alguns tipos de impostos cujo recolhimento é pelo financeiro. Se você fizer uma venda ou uma compra parcelada em dezembro, e ela tiver parcelas que se estendem ao longo do ano que vem, o que acontece?
O que a gente efetivamente está recomendando para os clientes é se prepararem o quanto antes para esse tipo de situação. Assim, a gente terá alternativas quando tiver mais clareza sobre essas situações que ainda são dúvidas. Tem algumas situações em que realmente a gente ainda não tem certeza do comportamento.
A dica é se preparar com a informação que existe hoje?
Exato. O exemplo que a gente está dando é que tudo é tão incerto que há prefeituras, preciso confirmar o município, aceitando o layout de nota de qualquer jeito. Internamente, ela adapta a nota. A própria prefeitura entendeu que tem tantas variações que resolveu investir, aceitar a nota de qualquer jeito e se adaptar. E por que ela fez isso? Para não afetar a arrecadação.
Se os próprios entes públicos têm esse grau de incerteza… São Paulo, por exemplo, também estava aceitando mais de um layout até outro dia. Ainda há muita incerteza. A gente pede que as empresas estudem a operação, parametrizem, tenham um plano A e um plano B, e que não deixem para fazer isso aos 45s do segundo tempo.






