Tax Professionals #6: Rafael Lima

Na imagem, Rafael Lima, tax manager do Sicredi – Foto via LinkedIn

Por Enzo Bernardes

Rafael Lima, tax manager do Sicredi, construiu sua trajetória no mercado tributário a partir de um caminho que começou longe dos escritórios e das legislações fiscais: dentro dos campos de futebol. 

Antes de se consolidar como profissional da área, Rafael viveu o sonho de ser jogador profissional, uma experiência que influencia até hoje a construção da sua carreira e acabou fortalecendo atributos como trabalho em equipe, estratégia e liderança.

A entrada no tributário aconteceu em um momento de mudança. Depois de perceber que o futebol não seria o caminho que seguiria profissionalmente, Rafael precisou buscar uma nova direção. O que inicialmente começou como uma oportunidade de trabalho acabou despertando interesse e se transformando em uma carreira de longo prazo. 

Assim como muitas pessoas, eu não escolhi a área por paixão, pensando ‘quero ser um tributarista’. A gente acaba seguindo um caminho a partir das portas que se abrem, e esse também foi o meu caso”, conta. 

O caminho de Rafael começou de forma inesperada. A área tributária não era um plano definido desde o início, mas foi uma construção gradual, a partir das experiências que acumulou ao longo da carreira. 

O que começou como uma oportunidade profissional acabou despertando interesse e criando uma conexão com o universo fiscal.

Respondendo de forma objetiva, foi muito mais uma necessidade lá atrás, quando comecei em um escritório de contabilidade. Aos poucos, o caminho foi se abrindo e me direcionando para a área tributária”, explica.  

O PRINCÍPIO

Durante a adolescência e início da fase adulta, Rafael tinha como principal objetivo seguir no futebol. Chegou a jogar profissionalmente até os 22 anos, mas decidiu encerrar esse ciclo quando percebeu que precisaria buscar outro caminho. 

Eu tinha muita convicção de que esse era o caminho que gostaria de seguir. Até que chegou um momento em que pensei: ‘não quero mais’. Eu já tinha tentado, já sabia que não seria o Neymar, que não teria aquele nível de sucesso, e entendi que era o momento de mudar”. 

Rafael conta que, naquele momento de transição, passou a buscar oportunidades de trabalho e encontrou nos escritórios de contabilidade uma possibilidade de entrada no mercado. A grande oferta de vagas na área chamou sua atenção e o levou a iniciar um curso técnico em contabilidade. 

O curso técnico abriu as primeiras portas. Em 2006, iniciou sua experiência em um escritório de contabilidade, onde teve contato inicial com atividades fiscais e com órgãos como Receita Federal e secretarias da Fazenda.

Ali eu tinha contato com a área fiscal, mas ainda de forma inicial. Lidava mais com questões como entrada e emissão de notas fiscais, atividades mais simples, mas que já me aproximavam dos órgãos fiscalizadores”.

EXPERIÊNCIA

Depois da passagem pelo escritório, Rafael seguiu para uma empresa onde aprofundou seus conhecimentos em contabilidade e impostos. O próximo grande passo veio em 2011, quando entrou na EY, experiência que considera um ponto de virada na carreira.

A experiência na consultoria trouxe contato com diferentes setores, empresas e desafios, acelerando sua formação técnica e consolidando sua escolha pela área tributária.

Dentro da EY, tive um desenvolvimento técnico muito acelerado. Conheci diferentes indústrias, diferentes pessoas, e isso me fez, de fato, dar uma guinada na carreira”.

A partir daquele momento, Rafael passou a enxergar o tributário como parte central da sua trajetória profissional. 

NEGÓCIOS

Ao longo da carreira, uma das principais mudanças na visão de Rafael foi entender que o profissional tributário precisa ir além da execução técnica e se aproximar cada vez mais das decisões do negócio.

Para ele, o papel da área mudou: deixou de ser apenas garantir conformidade para também contribuir estrategicamente com a empresa.

Hoje, o profissional precisa entender muito do negócio em que está inserido. Nós saímos daquele lugar em que o profissional de tributos ficava mais restrito à própria área, cumprindo obrigações e garantindo conformidade”.

Segundo Rafael, o conhecimento técnico continua essencial, mas o diferencial está na capacidade de comunicação, relacionamento e compreensão dos objetivos da companhia.

“Na minha visão, estamos vivendo a maior mudança de identidade da profissão tributária das últimas décadas. O diferencial deixou de ser apenas interpretar a legislação. Passou a ser transformar mudanças regulatórias em vantagem competitiva para o negócio. ”

NEGÓCIOS

Na liderança fiscal do Sicredi, Rafael destaca que a reforma tributária reforçou ainda mais a necessidade de aproximação entre tributário e o negócio.

“A Reforma Tributária não é apenas uma mudança regulatória. Ela redefine a forma como as empresas operam, seus preços, sua localização, seus fornecedores e clientes, etc… Sem considerar mudanças em processos e sistemas. Tudo isso exige alto nível de governança, gestão da mudança e gestão de stakeholders. Por isso, acredito que ela consolidará o novo papel desempenhado pelo líder tributário.”

No Sicredi, Rafael destaca que o programa da reforma tributária foi estruturado para ir além dos ajustes técnicos, considerando também impactos nos produtos, serviços e no relacionamento com os associados. Segundo ele, essa abordagem holística permitiu ampliar a complexidade da iniciativa, assegurando a conformidade regulatória, adequações dos impactos em negócio e potenciais reflexos em associados, fornecedores e parceiros estratégicos.

DIVERSIDADE

 Além da atuação tributária, Rafael também destaca um projeto de diversidade e inclusão do qual participou dentro do Sicredi.

Sou uma pessoa muito envolvida e dedicada à diversidade e inclusão”.

Segundo ele, o projeto trouxe resultados importantes, especialmente relacionados à diversidade racial dentro da organização.

Esse é um dos projetos de que mais me orgulho, principalmente pelo aumento da diversidade racial dentro da estrutura”.

Rafael avalia que, apesar dos avanços relacionados à diversidade na área tributária, ainda há espaço para ampliar a representatividade e promover novas mudanças no setor. 

REFERÊNCIAS 

Fora do ambiente profissional, Rafael busca referências em livros e filmes que tragam reflexões sobre desenvolvimento pessoal e liderança.

Entre os livros que marcaram sua trajetória, cita “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, de Stephen Covey, e “Coragem para Liderar”, de Brené Brown.

Foram livros que ajudaram a acelerar meu desenvolvimento como liderança porque tratam de autodesenvolvimento, um olhar crítico para si… e, ao mesmo tempo, reforçam a importância da escuta ativa e de nos posicionarmos com assertividade e coragem”.

No cinema, destaca “O Curioso Caso de Benjamin Button” como uma obra que trouxe reflexões sobre tempo e sobre a ausência de controle sobre as circunstâncias da vida.

PROPÓSITO

Ao olhar para sua trajetória, Rafael resume sua visão sobre carreira em uma ideia: contribuir além da conformidade com atuação orientada ao negócio.

Desde o início, eu diria para quem está entrando na área buscar contribuir além da execução da operação. A área tributária tem uma função estratégica, e cabe a nós, profissionais, exercermos esse papel”.

Para ele, o profissional tributário do futuro precisa entender o negócio, assumir desafios maiores e enxergar sua atuação como parte estratégica das organizações.

“Acredito que o próximo grande salto da área tributária não virá da legislação. Virá da nossa capacidade de influenciar decisões de negócio.O futuro da área tributária será definido menos pelo conhecimento da legislação e mais pela capacidade de gerar valor ao conectar pessoas, tecnologia e estratégia. Quando isso acontece, deixamos de ser vistos como uma área de suporte e passamos a ser parceiros de negócio.” 


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