
Por Nicholas Meira
Junho de 2026. O mundo inteiro parou para assistir ao futebol.
Mas enquanto você reúne os amigos, abre uma cerveja, queima uma carne e discute escalação, um jogo muito mais caro está acontecendo nas suas costas, e garanto que a maioria das empresas nem percebeu que o árbitro mudou as regras no meio do jogo, com a bola rolando.
Imagine um time de futebol fenomenal. Jogadores incríveis, torcida apaixonada, história de campeão. Só que o técnico insiste em jogar com as regras de 1988 (qualquer semelhança de data com a nossa Constituição Federal não é mera coincidência).
Impedimento? O critério antigo. VAR? Nem pensar. Cartão vermelho? Depende de qual país está em campo e qual a força dele dentro da entidade máxima do futebol mundial. Parece absurdo no futebol (ou não). No sistema tributário brasileiro, era a realidade até ontem.
Cinco tributos sobre consumo (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) com regras diferentes em cada estado, em cada município, com exceções, benefícios e regimes especiais que nenhum ser humano consegue memorizar. O Brasil tinha o regulamento mais complexo do mundo, e jogava (ainda joga) assim há décadas.
A Copa 2026 não é só de futebol
A Copa do Mundo de 2026 está sendo realizada nos EUA, Canadá e México. O Brasil enviou a sua “melhor” seleção (ou o que tinha de melhor). O povo vai torcer e o país vai parar por 90 minutos a cada jogo.
Mas há outro prazo colado nessa data que quase ninguém está vendo: A Reforma Tributária já está com a bola rolando desde Janeiro/2026 e o primeiro tempo já está nos acréscimos.
O IBS e a CBS começaram a ser estatisticamente implementados. O período de transição começa. As empresas que ainda não entenderam o novo jogo vão descobrir da pior forma: no campo, com o placar virando contra elas. Não é metáfora futebolística. É calendário.
Hoje pela manhã apresentamos uma palestra no Sebrae PR sobre Reforma Tributária e lá eu confirmei o que já pensava há muito tempo: existem três comportamentos empresariais relacionados a Reforma Tributária no mercado.
1. O time que não sabe que o campeonato mudou. Ainda operando com a lógica antiga. Achando que a Reforma é “coisa do governo” e que o contador vai resolver. Esses vão levar gol no estilo da zaga Brazuca contra o Marrocos, sem nem ver a bola passar.
2. O time que sabe, mas está esperando o regulamento definitivo. Paralisia por análise. Ficam esperando a regulamentação completa para agir. Problema: quando o jogo começa, não dá tempo de treinar ou se preparar. Uma comparação simples, seria um jogador no melhor estilo Neymar JR, espera estar em campo quando o apito soar, mas não está pronto pra isso. E neste caso, se prepare, pois isso pode custar caro!
3. O time que já está em pré-temporada. Mapeou os impactos. Revisou a cadeia. Entendeu onde perde e onde pode ganhar. Já conversou com os fornecedores. Está treinando com as novas regras enquanto os outros ainda discutem a escalação. E para ilustrar este estilo, juro que tentei vincular um jogador da nossa seleção, mas me faltou nome…
Mas com essa analogia, em qual time a sua empresa está?
O que a Copa e a Reforma têm em comum
Nos dois casos, o resultado é determinado muito antes do apito inicial. Nenhum time campeão decide a estratégia no vestiário às 14h58 de um jogo que começa às 15h. A preparação é anterior, sistemática e intencional.
Com tributos, a lógica é idêntica. As empresas que vão sair na frente na nova realidade tributária não são as que contrataram o melhor advogado ou a melhor consultoria às vésperas da implementação. São as que decidiram entender o jogo com antecedência.
O árbitro (RFB) não vai esperar você terminar de ler o regulamento
A Reforma Tributária não é uma ameaça. Pode ser uma das maiores oportunidades de reposicionamento competitivo e estratégico que o Brasil já ofereceu.
Mas oportunidade tem prazo de validade e o apito inicial já tocou.
A pergunta é simples: você está em campo, treinado e pronto para ganhar, ou está esperando o juiz apitar para descobrir o que vai fazer?
Nicholas Meira é tributarista com mais de 20 anos de experiência na área, atuando em multinacionis líderes globais de seus segmentos. Presidente na Comunidade Power Tax Brasil, uma comunidade tributária com mais 200 tributaristas, que representam mais de 120 empresas de diversos segmentos de mercado.
Os artigos escritos pelos “colunistas” não refletem necessariamente a opinião do Portal da Reforma Tributária. Os textos visam promover o debate sobre temas relevantes para o país.




