
Por BMS

A reforma tributária já começou. Mas a maioria das empresas ainda não percebeu. Essa foi a mensagem central do BMS Leaders Table, evento fechado realizado em São Paulo que reuniu mais de 120 CEOs e CFOs das maiores companhias com operação no Brasil.
O BMS Leaders Table é promovido pela BMS, consultoria especializada em estratégia tributária, com foco em empresas de médio e grande porte com operações no Brasil.
No centro do debate do evento está um fator decisivo para a competitividade: a revisão do cadastro de fornecedores e a gestão estratégica dos créditos tributários. Negligenciá-los é colocar a margem dos negócios em risco.
A VIRADA
Rubens Tavares, CEO da BMS, abriu o evento com um alerta que causou impacto: desde 1º de abril deste ano, entrou em vigor a extinção de regimes de PIS e Cofins com alíquota zerada. Só que a mudança passou em branco para boa parte do mercado.
Quando a gente fala que a reforma tributária já começou, não é porque ela vai começar em 1º de janeiro de 2027. Ela já começou, ressaltou o executivo, referindo-se a mudanças que já estão gerando passivos para empresas que não se atualizaram.
O efeito prático é imediato. Empresas que seguem recebendo notas fiscais de fornecedores ainda enquadradas no regime anterior estão acumulando passivo tributário sem saber. Tavares exemplificou: um supermercado com R$ 10 milhões em produtos afetados pela mudança pode estar gerando R$ 1,1 milhão em passivo por ano sem ter ciência disso.
A Receita Federal divulgou, durante o evento, que R$ 144 bilhões em créditos tributários foram identificados em empresas brasileiras, dos quais R$ 44 bilhões já foram mapeados em 12.000 companhias. Para Tavares, o recado é simples: quem não recuperar esses créditos perde competitividade e deixa margem na mesa.
O FORNECEDOR
Juliana Zobaran, diretora tributária Latam na Vantiva, trouxe ao debate o risco tributário embutido na cadeia de fornecedores. Ela citou uma frase que marcou o evento e circulou entre os presentes: “Crédito mal gerido é custo escondido”.
Pela nova legislação, o direito ao crédito fiscal está condicionado ao pagamento do tributo pelo fornecedor. “Você só vai ter direito ao crédito se o seu fornecedor pagou o imposto. E o que isso significa? Você vai adicionar 28% ou vai perder margem? Essa é a pergunta”, afirmou.
Zobaran foi direta sobre o que isso exige operacionalmente: o tema não pode ficar restrito ao jurídico. A área de compras, que negocia contratos, o jurídico e a área de impostos precisam trabalhar juntos, a 6, a 8 mãos, como ela disse.
A diretora também alertou sobre os créditos do Simples Nacional. Segundo ela, empresas desse regime tendem a gerar créditos muito reduzidos para seus clientes e somente poderão transferir créditos plenos se optarem pelo recolhimento de IBS e CBS fora do regime simplificado. “Se puder evitar, evite”, disse, ao falar sobre o KPI fiscal que instituiu na empresa em que trabalha. E foi além: “Por isso que a gente fala que muitas empresas vão morrer nessa jornada”.
Ao relatar a recepção da equipe quando passou a ter uma ferramenta de rating de fornecedores em mãos, Zobaran descreveu a reação: “O meu pessoal de compras só faltou dar pulos de alegria”.
SOLUÇÃO
Cauê Azevedo, gerente tributário da BMS, apresentou ao público um conjunto de ferramentas desenvolvidas para automatizar o que seria inviável fazer manualmente. A BMS desenvolveu um robô que baixa todas as notas fiscais da empresa, aplica inteligência artificial para adequar a descrição dos produtos, o NCM e o CST, e compara com uma base de dados setorial com mais de 500 supermercados cadastrados.
“A gente tenta abrir um vinho sem um saca-rolhas. Você pode até conseguir abrir isso daí. Mas o processo com a ferramenta correta é muito mais ágil e seguro”, ilustrou Azevedo.
Outro robô, batizado de Mindy, envia pelo WhatsApp 33 perguntas para fornecedores, gerando um credit score tributário de A+ a D. A ferramenta permite que a área de compras avalie o risco fiscal de cada fornecedor antes de fechar ou renovar contratos.
Azevedo apresentou também o caso concreto de um supermercado que deixava de apropriar créditos sobre despesas de limpeza e conservação (categoria com solução de consulta favorável desde 2023). O cliente deixou R$ 2,4 milhões na mesa –só nessa conta.
TENDÊNCIA DO MERCADO
Uma enquete realizada em tempo real durante o evento revelou o grau de preocupação do empresariado com o cenário à frente. Quando perguntados sobre o que mais ameaça o EBITDA de suas empresas de 2026 a 2033, 39,7% dos participantes apontaram a reforma tributária como principal risco. O percentual supera a soma de todos os outros fatores: Mão de obra (26,5%), Concorrência (13,2%), Juros (10,3%), Inteligência Artificial (8,8%) e Câmbio (1,5%).
Os dados confirmaram o diagnóstico apresentado pelos palestrantes ao longo do evento: o principal risco não é a complexidade técnica da reforma, mas a falta de preparação de quem já deveria estar agindo. A reforma concentrou mais votos do que todos os demais fatores combinados, num sinal de que, para a cúpula do empresariado brasileiro, a transição fiscal em curso não é apenas uma mudança regulatória. É o maior risco de negócio da década.

FOLHA DE SALÁRIOS
O evento também debateu o impacto da reforma sobre a folha de pagamento e encargos trabalhistas. Esse é tema que raramente entra nas análises de impacto tributário das empresas.
Os benefícios concedidos aos funcionários –plano de saúde, auxílio-creche, bolsas de educação –podem ou não gerar crédito de CBS e IBS dependendo de como estão formalizados e do enquadramento da relação de trabalho. “O envolvimento das áreas, ele não é opcional, ele tem que, de fato, acontecer”, afirmou Zobaran, que trabalha há mais de 25 anos na área e destacou a importância de incluir o RH nas discussões sobre a reforma.
Tavares citou ainda novas possibilidades de modelagem de remuneração via stock options, PLR e a Posição Normativa 10 de 2026, que estabeleceu que prêmios não têm incidência de contribuição previdenciária. “O mundo está modernizando, a relação capital-trabalho está modernizando”, afirmou.
BMS LEADERS TABLE – EVENTO EXCLUSIVO
No dia 20 de agosto, a BMS promove mais uma edição do BMS Leaders Table | São Paulo, um encontro exclusivo que reunirá novamente C-Levels e executivos para debater, de forma estratégica, os impactos da Reforma Tributária, seus reflexos econômicos e o cenário de negócios no Brasil.
Além de conteúdo de alto nível, será uma excelente oportunidade para networking qualificado e troca de experiências entre líderes que estão à frente das principais decisões das empresas.
As vagas são limitadas. Garanta sua participação por meio deste link.







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