PMEs brasileiras veem tecnologia e contabilidade estratégica como pilares para sobreviver à Reforma Tributária, aponta Sondagem Omie

Foto via Magnific

Por Felipe Beraldi

SÃO PAULO, abril de 2026 – A Reforma Tributária já é uma realidade em curso no Brasil, mas o nível de maturidade e preparação das pequenas e médias empresas (PMEs) ainda caminha a passos lentos. Segundo a nova edição da Sondagem Omie das PMEs, realizada em abril de 2026, 48% das empresas ainda não iniciaram suas análises ou estão apenas nos estágios iniciais de adaptação. O levantamento, que ouviu 433 gestores e empresários do segmento de PMEs, destaca que a adaptação ao novo regime dependerá da combinação entre tecnologia de gestão (ERP) e contabilidade estratégica.

Embora o cronograma da Reforma já apresente marcos decisivos — como a escolha pelo Simples Nacional Híbrido em setembro de 2026 — menos de um terço do mercado (29%) indica estar efetivamente adaptando seus processos.

A preocupação financeira domina o cenário: o ‘Aumento de impostos’ é o principal temor para 34% dos respondentes, liderando de forma isolada. Para a Omie, esse dado evidencia que muitos empreendedores ainda não perceberam que a Reforma vai além da carga tributária, impactando profundamente a gestão operacional e o fluxo de caixa.

Um dos pontos mais fortes do estudo é a percepção do valor da tecnologia. 68% das PMEs consideram crucial possuir um sistema de gestão (ERP) atualizado para acompanhar a transição de alíquotas e regras que ocorrerão anualmente até 2033. Mesmo com a baixa penetração histórica dessas ferramentas no segmento, o empresário já identifica o ERP como uma ferramenta estratégica indispensável para a profissionalização da gestão exigida pelo novo sistema tributário.

A Ascensão da Contabilidade Consultiva

O papel do contador nunca foi tão valorizado, mas há um gap de execução a ser preenchido:

  • Desejo por Estratégia: 79% das PMEs reconhecem a importância de um apoio estratégico do contador neste momento.
  • Expectativa vs. Realidade: Apenas 50% das empresas já participaram de reuniões ou eventos promovidos por seus contadores para discutir a Reforma.
  • Mudança de Percepção: O percentual de empresas que “não esperam nada” do contador desabou de 25% para apenas 13%, sinalizando que o mercado agora exige uma postura consultiva e não apenas burocrática.

Conclusão e Metodologia

A Sondagem Omie das PMEs de Abril/2026 reforça que, embora as empresas ainda não se sintam prontas, elas já identificaram os meios para a travessia: o investimento em sistemas preparados e a busca por parceiros contábeis que atuem como conselheiros de negócio.

O estudo foi realizado via questionário online entre 02 e 20 de março de 2026, com uma amostra de 433 respondentes validados, nível de confiança de 95% e margem de erro de 4,7%. As PMEs são o motor da economia brasileira, representando um terço do PIB e mais de 60% dos empregos formais.


Felipe Beraldi é Gerente de estudos econômicos na Omie.


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