Estados temem perda de arrecadação com atualização do teto do Simples Nacional

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Bandeiras dos estados na Esplanada dos Ministérios – Foto: Rafa Neddermeyer via Agência Brasil

Por Gabriel Benevides, de Brasília

A proposta de atualização dos tetos do Simples Nacional e do MEI (Microempreendedor Individual) assustou os Estados, que temem a perda de arrecadação com ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) por causa da medida. 

O Portal da Reforma Tributária apurou que a percepção em geral é que a consequência do projeto que trata do tema na Câmara (PLP 108 de 2021) é “ruim”, segundo relatos ouvidos por esta reportagem.

Em ano de eleição, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), bancou uma tramitação acelerada do projeto. Determinou a criação de uma comissão especial para tratar do assunto. O cronograma do grupo de trabalho será divulgado na 4ª feira (13.mai.2026).

Atualmente, o PL propõe aumentar o limite de faturamento anual do MEI de R$ 81.000 para R$ 145 mil. Já o resto do Simples Nacional mudaria o limite para microempresas (R$ 360 mil para R$ 869 mil) e empresas de pequeno porte (R$ 4,8 milhões para R$ 8,7 milhões).

A tendência é que os números mudem durante as discussões no Congresso. O Portal mostrou que o teto de faturamento do Simples Nacional ficaria em torno de R$ 7 milhões se corrigido pela inflação. O MEI poderia faturar até R$ 160 mil em 1 ano.

A equipe econômica do governo federal já iniciou os diálogos e demonstrou preocupação com os ajustes, por causa da renúncia que seria próxima de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões ao ano.

O receio dos estados mostra uma tendência de que os times dos governadores entrem em campo e também negociem saídas com os deputados durante a passagem do projeto na Câmara.

O Portal apurou que as secretarias de Fazenda já começaram a fazer estudos em busca de entender o impacto do projeto exclusivamente para os governos estaduais.

A renúncia fiscal viria da redução da arrecadação de tributos, especialmente do ICMS. Mais empresas ficariam enquadradas no Simples Nacional ou no MEI e, assim, passariam a recolher valores menores do que no regime tributário normal. 

Isso leva a uma perda estimada de receita para estados e para a União, dependendo da dimensão da atualização dos limites. 

O Simples Nacional é um regime tributário criado para facilitar o pagamento de tributos por micro e pequenas empresas. Ele unifica diversos tributos em uma única guia, chamada DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). Estão incluídos:

  • IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica)
  • CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido)
  • PIS/Pasep (Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público)
  • Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social)
  • CPP (Contribuição Previdenciária Patronal)
  • IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
  • ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)
  • ISS (Imposto Sobre Serviços)

O valor pago varia conforme a atividade da empresa e o faturamento acumulado nos últimos 12 meses. O principal objetivo do regime é reduzir a burocracia e simplificar a rotina tributária das empresas. 

Em vez de vários recolhimentos separados, a empresa faz um único pagamento mensal. Além disso, o Simples costuma ter carga tributária mais vantajosa para negócios de menor porte.

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