Reforma tributária coloca TI no centro da adaptação inicial das empresas, diz CEO da Quality Tax

Por Enzo Bernardes, de Brasília

A área de tecnologia se tornou o “coração inicial” da implementação da reforma tributária nas empresas, avalia Genildo Rosales, CEO da Quality tax Consultoria Tributária.

A afirmação foi feita no mais novo episódio do podcast Tax Capital, do Portal da Reforma Tributária, gravado em São Paulo. Já está disponível em áudio e vídeo nas plataformas Spotify, Youtube e Apple Podcasts. O programa contou com a mediação do editor-chefe do Portal, Douglas Rodrigues.

Segundo Rosales, a primeira fase exige principalmente a parametrização de sistemas, a emissão de documentos fiscais e a leitura de notas técnicas:

“A área de TI [Tecnologia da Informação] ser um coração inicial do processo da reforma tributária. Porque de fato, essa primeira fase demanda muito mais da área de TI para fim de parametrização, emissão de notas fiscais e leitura de notas técnicas, do que especificamente a carga tributária em si, que até hoje a gente não tem a alíquota a ser praticada a partir de janeiro de 2027“, disse o CEO.

Rosales afirmou que a reforma deixou de ser um assunto restrito às áreas tributária e financeira. Segundo ele, departamentos como jurídico, RH (Recursos Humanos), vendas, suprimentos e TI também precisam participar do processo de adaptação.

“A reforma tributária não tem um dono específico, em um setor específico. Por exemplo, a contabilidade ou o tributário, não são donos desse processo. Na verdade todo mundo, todas as áreas, jurídico, RH, vendas, suprimentos, todas elas precisam se unir para que esse processo funcione em toda cadeia. Desde o início até o fim, até a entrega do produto final ou serviço final ao cliente“, afirmou Rosales.

FORNECEDORES

Rosales diz que a mudança também tem afetado a relação das empresas com seus fornecedores. Ele afirma que as companhias passaram a mapear o regime de tributação dos parceiros para avaliar os efeitos da reforma sobre os negócios.

A análise inclui fornecedores enquadrados no Simples Nacional e os possíveis impactos sobre a tomada de créditos:

“Hoje, muitas das vezes eu tenho que fazer praticamente uma due diligence [análise de dados] do meu fornecedor para saber se de fato ele tem condições de me atender daqui em diante. Porque isso vai ser de suma importância para que eu possa manter a eficiência e a adequação dos meus processos na empresa“, disse Rosales.

Segundo o CEO, a Quality Tax tem recebido tanto demandas para projetos amplos de adequação quanto trabalhos específicos envolvendo fornecedores e contratos. Ele afirmou que a análise dessas relações será importante para a continuidade das operações.

A adaptação ainda apresenta lacunas. Rosales citou especialmente as notas fiscais de serviço e as diferenças no estágio de integração dos municípios ao Portal Nacional. As empresas também enfrentam dúvidas sobre operações que não tinham o mesmo tratamento antes da reforma.

O CEO afirmou que ainda há investimentos relevantes em sistemas e processos para a implementação. Para ele, as empresas terão de continuar ajustando suas operações: “Temos algumas questões ainda a serem adaptadas e muito investimento das empresas para que isso possa acontecer até janeiro“, disse.

INSEGURANÇA JURÍDICA

Rosales também avaliou que a reforma ainda traz insegurança jurídica. Segundo ele, empresas já fizeram investimentos para adaptar sistemas e processos ao cronograma previsto. Eventuais mudanças podem afetar esse planejamento.

Apesar das incertezas, ele afirmou que a reforma pode reduzir a burocracia e facilitar a compreensão do sistema brasileiro por empresas estrangeiras. Ele citou a dificuldade de multinacionais para entender a estrutura brasileira de tributação sobre o consumo:

“Nós temos clientes internacionais, grandes empresas, que a gente acaba tendo essa interlocução com eles tentando explicar como funciona. Porque discutir e explicar ICMS-ST para um gringo é difícil. Ou seja, o mecanismo de tributo sobre o consumo é complexo, principalmente porque a gente gasta tantas horas para atender a legislação tributária no Brasil“, afirmou.

Outro ponto discutido foi a carga tributária. Rosales diferenciou a redução da burocracia da redução da carga sobre o consumo. Segundo ele, a redução da carga não foi colocada como objetivo inicial da reforma.

SOBRE A QUALITY TAX

A Quality Tax foi fundada por Genildo Rosales em setembro de 2016, após uma trajetória em empresas internacionais de consultoria e auditoria e uma passagem por uma consultoria doméstica. A empresa começou com operações em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Segundo Rosales, a proposta era unir a experiência acumulada com proximidade, agilidade e capacidade de entrega aos clientes:

“Eu percebi que tinha uma oportunidade de mercado onde a gente consegue trazer e atribuir a qualidade dos nossos serviços. Tudo o que foi adquirido a nível de experiência e capacidade de entrega, com agilidade e pertencimento ao cliente, o senso de dono, o senso de urgência que o cliente do nosso setor acaba demandando da gente“, disse.

Em 2020, a Quality Tax passou por um processo de aquisição parcial pela Corp Services. Segundo Rosales, a associação teve como objetivos ampliar a estrutura, trazer mais investimentos em tecnologia e criar novos horizontes para o negócio. A empresa completa dez anos em 2026.

Rolar para cima