
Na imagem, Henrique Almeida, líder de clientes estratégicos da IBM
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Por Redação
A reforma tributária do consumo pode representar uma oportunidade para o Brasil avançar na construção de uma infraestrutura nacional de dados fiscais, afirmou Henrique Almeida, executivo líder de clientes estratégicos da IBM Brasil, em Brasília.
Para o executivo, a mudança vai além da criação de novas regras tributárias e pode impulsionar uma modernização estrutural do Estado. Segundo Almeida, a transição para o novo modelo tributário exige uma visão baseada em dados, integração de sistemas e segurança.
“Nessa perspectiva, como fornecedora de tecnologia, a IBM entende que o grande desafio não é apenas adaptar os sistemas às novas regras, mas contribuir para a construção de uma nova arquitetura como um todo: uma arquitetura mais simples, mais transparente e, obviamente, muito mais orientada a dados”, disse.
Segundo Henrique, essa visão está alinhada à estratégia tecnológica da própria IBM, que realizou investimentos superiores a US$ 60 bilhões em aquisições estratégicas de empresas de tecnologia voltadas a áreas como arquitetura aberta, interoperabilidade, automação, segurança e integração de dados.
Entre as companhias citadas por ele estão a Red Hat, voltada a plataformas abertas, além de empresas como Confluent, HashiCorp, Instana e Turbonomic, que atuam em integração de dados, automação e gestão de ambientes tecnológicos.
O executivo destacou que o atual ambiente tributário brasileiro reflete uma construção histórica, com diferentes sistemas, obrigações e interpretações. Para ele, a reforma abre espaço para uma evolução desse cenário.
“A reforma surge como uma oportunidade para evoluir esse cenário, promovendo maior integração, padronização e fluidez no compartilhamento de dados de forma confiável”, afirmou.
Na avaliação dele, a implementação do novo modelo tributário representa um movimento em direção a uma arquitetura mais integrada entre as diferentes esferas de governo. Segundo o executivo, os modelos estruturantes relacionados à CBS e ao IBS, considerando as esferas federal, estadual e municipal, caminham para uma maior integração dos sistemas.
Ele afirma que a IBM acompanha o processo de transição da reforma tributária junto à todas essas esferas de governo.
Cinco frentes tecnológicas
Para Almeida, a tecnologia terá papel central na transição tributária, principalmente em cinco áreas: integração, governança, inteligência, automação e segurança.
“A primeira frente é a integração, ou seja, a necessidade de conectar todos esses elementos: sistemas legados, documentos fiscais, ERPs e arquiteturas abertas e orientadas a eventos”, afirmou.
Na área de governança, o executivo destacou a importância da confiabilidade das informações.
“Não adianta integrar os dados se eles não forem confiáveis. É preciso saber de onde vieram, como foram transformados, se podem ser auditados, e garantir que essa base esteja inserida em uma operação segura”, disse.
Sobre a inteligência artificial, Almeida destacou que a tecnologia pode ampliar a capacidade de análise e apoiar processos de tomada de decisão durante a transição tributária. Segundo o executivo, a IA pode contribuir para a simulação de diferentes cenários, como projeções de arrecadação e antecipação de riscos, permitindo uma atuação mais estratégica.
Na frente de automação, ele ressaltou que a tecnologia pode trazer ganhos operacionais ao reduzir atividades manuais, minimizar erros e ampliar a escala dos processos. Ele explicou que, com o uso combinado de automação e inteligência artificial, é possível automatizar operações mantendo a inteligência já incorporada aos processos existentes.
Almeida também enfatizou que a segurança será um dos pilares fundamentais nesse período de mudança. Para ele, por se tratar de um ambiente fiscal, os sistemas precisam garantir proteção, disponibilidade e confiabilidade contínua ao longo da implementação do novo modelo.
Ecossistema nacional de dados
Ao falar sobre a construção de um ecossistema nacional de dados, Henrique afirmou que o Brasil precisará atuar de forma integrada entre governo, empresas e instituições.
“Não existe outro caminho. O Brasil vai precisar operar como um ecossistema de dados”, afirmou.
Segundo Almeida, a construção desse ecossistema nacional de dados deve estar apoiada em três pilares principais: integração, confiança e transparência. Na visão do executivo, esse movimento vai além da tecnologia e depende da coordenação entre governo, empresas, instituições e a sociedade como um todo.
O executivo também relacionou essa construção à IND (Infraestrutura Nacional de Dados), que, segundo ele, tem como objetivo promover interoperabilidade, compatibilidade entre sistemas e o compartilhamento seguro de informações, com foco na proteção de dados. Para Almeida, a iniciativa está alinhada ao movimento da reforma tributária ao contribuir para a construção de uma estrutura mais integrada e baseada em dados.
Ele também relacionou o tema à soberania digital. Ele argumenta que soberania não significa isolamento tecnológico, mas sim a capacidade de controle e proteção das informações estratégicas.
“Ela representa a capacidade do Brasil e do Estado de definir regras para manter o controle, proteger seus dados sensíveis, garantir a portabilidade dentro de padrões abertos e, claro, evitar uma dependência excessiva de um único caminho tecnológico”, afirmou.
Para Almeida, a IBM está alinhada a essa visão por meio de arquiteturas abertas, híbridas e seguras, com soluções voltadas à interoperabilidade, ambientes multinuvem e soberania digital. Segundo o executivo, a companhia segue essas diretrizes em sua atuação tecnológica.
Ao final, Almeida reforçou que a eficiência do novo sistema tributário dependerá da qualidade dos dados e da capacidade de governança.
“A eficiência desse novo sistema, como um todo, dependerá da qualidade dos dados, da governança e do grau de soberania exigido para esse tipo de entrega tecnológica”, concluiu.








