
Foto: Via reprodução de Christoph Schulz na Unsplash
Por Leonardo Alexandre, de São Paulo
Os Emirados Árabes Unidos lideram um ranking tributário global com 48 jurisdições, enquanto o Brasil aparece apenas na 29ª posição, segundo levantamento da Global Intelligence Unit, braço de pesquisa da consultoria Global Citizen Solutions, divulgado pelo InfoMoney nesta 2ª feira (21.set.2026).
O estudo, batizado de “Tax Optimization for Global Citizens”, avaliou os países a partir de 11 indicadores, divididos em três pilares:
- Carga tributária, que mede o peso dos impostos efetivamente cobrados sobre renda, consumo e patrimônio, com peso de 42,5% na nota final
- Estrutura tributária, que avalia regras como base de incidência, regimes preferenciais e tratamento da renda estrangeira, também com peso de 42,5% na nota final
- Migração por investimento, que mede a facilidade de obter residência fiscal por meio de programas de investimento, com peso de 15% na nota final
Os Emirados Árabes Unidos somaram 83 pontos na classificação geral, com nota máxima (100) em carga tributária e 64 em estrutura. O resultado reflete a combinação de imposto de renda de pessoa física zero, alíquota de 5% sobre o consumo e ausência de cobrança na saída do país.
Veja os dez primeiros colocados do ranking.
- Emirados Árabes Unidos, 83 pontos
- Antígua e Barbuda, 82 pontos
- Paraguai, 77 pontos
- Hong Kong, 77 pontos
- Bahamas, 76 pontos
- Malta, 74 pontos
- São Cristóvão e Névis, 74 pontos
- Malásia, 74 pontos
- Granada, 74 pontos
- Chipre, 73 pontos
Malta e Chipre são as únicas jurisdições europeias entre as dez primeiras, não por cobrarem impostos menores, mas por manterem regimes tributários preferenciais.
O Brasil recebeu 69 pontos em carga tributária, 31 em estrutura tributária e 85 em migração por investimento. É a nota de estrutura, a mais baixa das três, que reduz sua posição geral, e isolando apenas esse pilar o país aparece em 33º lugar. Segundo a metodologia do levantamento, o Brasil tributa seus residentes em bases universais, alcançando também rendimentos obtidos no exterior, e não oferece um regime preferencial equivalente ao de jurisdições mais bem colocadas. O estudo também considera uma alíquota de até 22,5% sobre ganho de capital no país, acima da mediana de 15% na amostra.
O desempenho brasileiro melhora quando entram na conta outros tributos. O levantamento aponta alíquota máxima de 8% para o ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação), o imposto estadual sobre heranças e doações, uma das oito alíquotas abaixo de 20% encontradas na amostra. Das 48 jurisdições analisadas, 29 não cobram imposto sobre herança, e nenhuma das 13 mais bem colocadas no ranking cobra esse tributo.
Na comparação regional, o Brasil fica atrás da maior parte da América Latina, à frente apenas da Argentina. Paraguai (3º), Panamá (11º), Uruguai (12º) e Costa Rica (14º) aparecem em posição melhor e adotam sistemas de tributação territorial, que concentram a cobrança na renda originada dentro da própria jurisdição. O México, que também tributa pela residência com alcance universal, aparece em 22º lugar, sete posições acima do Brasil.
O Brasil se sai melhor nos critérios de mobilidade. O programa brasileiro de residência aparece em 8º lugar entre as 35 jurisdições com programas de migração por investimento analisadas, o que ajudou a somar os 85 pontos do país nesse pilar. O levantamento destaca ainda que o Brasil não cobra taxa de saída de quem transfere a residência fiscal para outro país, prática seguida por 31 das 48 jurisdições analisadas. Entre as 17 que cobram algum tipo de tributação na saída estão os Estados Unidos, com as condições mais restritivas para expatriados, além de Canadá, Alemanha e França.
O estudo cruza ainda os resultados fiscais com o Global Passport Index 2026, também da Global Citizen Solutions, para medir a qualidade de vida. Os Emirados Árabes Unidos, líderes do ranking tributário, aparecem apenas em 124º lugar nesse indicador, e o Brasil está entre os 50 primeiros em qualidade de vida, mas na metade inferior do ranking fiscal. Apenas sete jurisdições combinam boa posição tributária com presença entre as 50 primeiras em qualidade de vida, caso de Malta, Chipre, Uruguai, Costa Rica, Maurício, Suíça e Portugal, nenhuma delas com imposto de renda zero.
“Essa é a verdadeira escolha que qualquer pessoa que esteja pensando em se mudar enfrenta. Não se trata só da menor alíquota de imposto, mas de como cada regime trata a renda estrangeira, seja por meio de isenção automática, alívio parcial ou exceções mais restritas, bem como quanta segurança essa estrutura realmente oferece”, disse Artur Saraiva, fundador e COO da Global Citizen Solutions, ao InfoMoney.
Segundo o levantamento, não existe uma jurisdição tributariamente ideal para todos os perfis. Para um empresário prestes a vender uma empresa, ganho de capital e tributação na saída podem pesar mais. Para aposentados, sucessão, saúde e tributos sobre consumo ganham peso, e para profissionais que recebem do exterior, o tratamento dado à renda estrangeira tende a ser o fator decisivo.








