
Por Gabriel Benevides, de Brasília
Empresas da China têm sentido o impacto de adaptação para a reforma tributária do consumo. Nesse meio, os tributaristas responsáveis pelas companhias ganham um papel central na relação com as marcas do país asiático.
Tax manager (gerente tributário) da marca emergente de telefones Realme, Ana Pescara afirma que o principal papel do tax manager é construir confiança com investidores e executivos estrangeiros.
Ela avalia que o sistema tributário brasileiro é complexo e não faltam recursos para explicar o assunto aos chineses. Menciona a utilização de fluxos e analogias para simplificar o processo.

Segundo a especialista, os empresários chineses já estão muito preparados, mas ficam com um pé atrás ao perceber que as regras estão em constante mudança.
“Eles já estudaram muito sobre a legislação brasileira quando vêm para cá. Então, para eles, está sendo um susto. Como assim o que eu acabei de estudar, que achei ter começado a entender, já vai mudar no ano que vem”, diz Pescara ao Portal da Reforma Tributária.
Ana menciona a convivência de 2 modelos tributários diferentes durante a transição da reforma como o ponto de maior estranhamento para os clientes.
Ela cita a dificuldade de fazer precificação sem que a regulamentação esteja 100% definida. Como uma empresa de varejo, isso tem potencial de impactar as margens de vendas e o relacionamento com os fornecedores.
“Temos que ficar explicando que podemos ter um impacto financeiro relevante, que a gente só vai saber isso parando para calcular”, declara.
A empresa de mobilidade e delivery 99 é controlada pela chinesa Didi Chuxing desde 2018. Tax director (diretor tributário) da companhia, Rodrigo Reis diz que cada pessoa jurídica precisa calcular os custos de formas diferentes.
Ele ressalta que impactos podem variar muito mesmo dentro do mesmo setor. Defende ser relevante envolver áreas de negócio nas discussões internas. Para o especialista, o mais importante é tomar decisões com o menor impacto financeiro possível.

“Toda a demanda que temos hoje é muito vinculada à reforma e como vamos aplicar todas essas mudanças, que são muito significativas, com o mínimo de impacto possível na nossa operação”, afirma à RT PRO.
Segundo Rodrigo, os investidores chineses têm a consciência de que o Brasil tem um sistema tributário complexo, mas que apostam na reforma tributária como forma de simplificação.
A relação da reforma tributária com a China também foi debatida em um evento do escritório de advocacia Demarest em 13 de abril. Leia alguns destaques do que foi abordado na ocasião:
- Lucas Tavares, sócio de Fusões e Aquisições e integrante da China Desk – Destacou a importância de traduzir a reforma ao estrangeiro e explicar os impactos: “Temos em comum valores como tradição, excelência na prestação dos serviços e inovação”;
- Jun Zhang, sócio e integrante da China Desk – Disse que o avanço de multinacionais chinesas no Brasil fomentou a competição no mercado e tornou ainda mais relevante um entendimento aprofundado da legislação brasileira. Citou haver riscos e oportunidades com a reforma.
- Chen Jinsong, presidente do Banco da China no Brasil e da Abec – “Precisamos entender bem as leis tributárias e a cultura local para podermos ajudar as empresas chinesas a se desenvolverem com mais qualidade e sustentabilidade no Brasil”, afirmou.
A Bravo e o escritório Souto Correa Advogados promoveram em 14 de abril o “China-Brazil Business Roundtable”, encontro voltado exclusivamente a profissionais da área tributária em empresas com capital chinês no Brasil.
O evento reuniu líderes de grupos como 99, Realme e Alipay em formato de mesa redonda, com tradução simultânea. Leia mais clicando aqui.




