Por Enzo Bernardes, de Brasília
A reforma tributária deixou de ser uma responsabilidade exclusiva da área fiscal e passou a exigir o envolvimento de toda a empresa. Essa foi a principal mensagem da gerente executiva tributária da empresa de alimentos MBRF, Carmem Degenhardt, durante live setorial realizada pelo Portal da Reforma Tributária na 3ª feira (7.jul.2026). Assista ao vídeo na capa desta reportagem.
Segundo ela, o sucesso da transição depende da participação de áreas como compras, comercial, tecnologia, pricing, logística e financeiro.
“A gente tem uma máxima aqui, que a reforma tributária não é dos tributaristas, a reforma tributária é da empresa. Então temos essa preocupação de passar os conceitos, mas que as áreas entendam o que a gente está falando e apliquem no negócio […] Queremos que as pessoas entendam como isso vai refletir na sua operação“, disse.
Ela afirmou que a companhia possui comitês internos para debater aquisição, commodities, precificação. Também conta com integrados e pecuaristas com o objetivo de levar os conceitos da reforma tributária para as áreas impactadas.
A live reuniu o especialista tributário da MBRF, Muriel Zucatelli, a CFO (diretora financeira) da ROIT, Caroline Souza, e o editor-chefe do Portal da Reforma Tributária, Douglas Rodrigues.
Muriel reforçou que a reforma é uma transformação estrutural nas organizações. Para ele, o projeto exige o envolvimento de praticamente todas as áreas da empresa, já que muitas operações precisam ser identificadas e revisadas antes mesmo de a regulamentação estar totalmente concluída.
“A reforma não é só tributária, ela é estrutural a nível da empresa inteira. Então você não trata apenas com tributaristas, você tem que tratar com o pessoal de todas as áreas da companhia. Todo mundo vai ter impacto […] É fazer com que essas pessoas entendam que elas são parte importante e essencial do processo para que a empresa passe pela transição da maneira menos conturbada possível“, disse Muriel.
Segundo o especialista, esse trabalho passa por treinamentos constantes e pela aproximação entre o time tributário e as áreas operacionais. A ideia é fazer com que cada gestor consiga identificar como a reforma afeta sua rotina e acione o departamento tributário antes que os problemas apareçam.
TECNOLOGIA
Outro ponto destacado por Muriel foi o protagonismo da área de tecnologia. A implementação da reforma exigirá alterações em sistemas, documentos fiscais e processos internos. Por isso, relatou que a equipe de TI (Tecnologia da Informação) passou a participar das discussões desde o início dos projetos.
“Sem um time de TI que seja proativo e muito parceiro, certamente o caminho é infeliz […] Todas as discussões, ainda que talvez não fizesse muito sentido com alguém da TI, normalmente tem alguém ali junto para já levantar a mãozinha e falar: opa, mas espera aí, tem esse processo aqui no sistema que a gente tem uma alteração“, disse.
DESCONTOS FINANCEIROS
Outro tema que ganhou prioridade é a revisão dos descontos financeiros concedidos aos clientes. Carmem explicou que a reforma muda a forma de tratar esses pagamentos e exige uma revisão das práticas comerciais adotadas pelo mercado.
“Agora, tudo que passa pelo financeiro, se estiver relacionado a uma venda, nós temos que fazer a relação com o documento fiscal […] É uma prática de mercado que agora tem que ser revista […] Já estamos discutindo com os clientes e o setor como um todo está fazendo. É necessário discutir isso“, declarou.
Apesar dos desafios, os participantes também apontaram benefícios esperados com o novo modelo tributário. Muriel destacou que a uniformização das regras tende a simplificar a precificação e aumentar a transparência da carga tributária: “Trouxe até uma certa justiça da alimentação ter uma tributação menor e de forma igualitária a nível nacional […] Essa questão da simplificação e da redução, ter isso mais nítido, com certeza é um benefício para todo mundo”.





