Tecnologia e gestão como pilares da transformação das Secretarias de Fazenda

bandeiras dos estados
Bandeiras dos estados na Esplanada dos Ministérios – Foto: Rafa Neddermeyer via Agência Brasil

Por AWS

INTRODUÇÃO

Na edição anterior desta da Revista da Reforma Tributária, exploramos os impactos institucionais, administrativos, econômicos e tecnológicos que a Reforma Tributária impõe às Secretarias de Fazenda estaduais e municipais. Destacamos como

a substituição do ICMS e ISS pelo IBS representa não apenas uma mudança tributária, mas uma oportunidade

única de modernização tecnológica e transformação da gestão pública. Neste segundo artigo, aprofundamos essa discussão apresentando soluções concretas para os seis principais desafios tecnológicos identificados e demonstrando como a parceria entre tecnologia de ponta e consultoria especializada pode viabilizar essa transformação.

OS 6 DESAFIOS TECNOLÓGICOS DAS SECRETARIAS DE FAZENDA

Apresentação seguida de discussão que realizamos na 87ª  Reunião do Grupo de Gestores das Finanças Estaduais  do Comitê de Secretários Estaduais de Fazenda (Gefin/ Comsefaz) consolidou o entendimento sobre os princi pais desafios que as Secretarias de Fazenda enfrentarão: 

1. Modernização de Sistemas Legados: Muitas Sefaz  operam com mais de 100 sistemas, parte significativa  em tecnologias defasadas, cujo suporte e manutenção  tornam-se cada vez mais caros e escassos. A necessi dade de incorporar as novas regras do IBS abre uma  janela de oportunidade para migrar esses sistemas  para arquiteturas modernas baseadas em nuvem. 

2. Fiscalização Ancorada em Dados: O novo modelo  exige capacidade de processar massivamente dados  fiscais utilizando inteligência artificial para definir  trilhas de fiscalização mais efetivas, otimizando  recursos humanos e potencializando resultados. 

3. Análise dos Impactos na Arrecadação: Ferramentas  de Data & Analytics são essenciais para monitorar  se a transição gradativa está gerando perda, manu tenção ou ganho de arrecadação, permitindo simu lações de cenários econômicos e ajustes proativos. 

4. Analítica para Tomada de Decisão na Gestão de  Investimentos Públicos: Documentos fiscais agrega dos e anonimizados podem revelar dinâmicas sociais  e econômicas, orientando todo o ciclo de políticas  públicas baseadas em dados, desde a definição de  prioridades até a avaliação ex-post. Os ciclos de ges tão do investimento público deverão ser revisitados,  considerando as novas equações de competitividade  e das matrizes econômicas regionais. 

5. Manutenção de Sistemas Paralelos: Durante o pe ríodo de transição (2026-2032), os entes deverão  operar simultaneamente sistemas para ICMS/ISS  e IBS, aumentando significativamente a comple xidade operacional e tornando ainda mais crítica  a aceleração da modernização tecnológica. 

6. Gestão de Documentos Fiscais e Declaratórios: Será  necessário desenvolver soluções para conciliação  entre lançamentos nos documentos fiscais eletrôni cos e valores efetivamente repassados pelo Comitê  Gestor do IBS, demandando altíssima capacidade  computacional sob demanda. 

COMPUTAÇÃO NA NUVEM: FUNDAMENTO DA TRANSFORMAÇÃO

A AWS, pioneira em serviços de nuvem desde 2006, oferece mais de 200 serviços com 230 recursos de segurança,  conformidade e governança. Com infraestrutura de alta disponibilidade instalada no Brasil, a AWS proporciona  a base tecnológica necessária para enfrentar os desafios da reforma tributária. 

Em aliança estabelecidas globalmente com a Deloitte e com a parceiria local com a FGV, a AWS oferta arqui teturas modernas na nuvem, incluindo containers, bancos de dados gerenciados e automação do ciclo de gestão  de software, tornam os sistemas mais resilientes, escaláveis e seguros, acelerando a inovação. A capacidade de  processar grandes volumes de dados com elasticidade permite às Sefaz lidar com picos de demanda sem investi mentos em infraestrutura ociosa. Além disso, a inteligência artificial generativa, disponível para treinar modelos  de linguagem, desenvolver e orquestrar milhares de agentes de IA operando em um ambiente corporativo, bem  como utilizar aplicações já prontas, possibilita soluções e impactos que distinguem meras provas de conceito  de operação produtiva em escala. 

 GESTÃO ESTRATÉGICA E NOVOS INSTRUMENTOS DE DESENVOLVIMENTO

A reforma tributária não se resume a tecnologia. A perda de autonomia tributária e a nova lógica de repasse  exigem que as Sefaz desenvolvam novos instrumentos de planejamento e gestão. Entre eles, propomos:  

• Diagnóstico de Incentivos e Impactos Econômicos: análise aprofundada dos programas de incentivos fiscais  atuais, avaliação dos impactos econômicos pós-Reforma, categorização de cadeias produtivas e benchmark  de modelos de incentivos para orientar a transição até 2032. 

• Novos Instrumentos Financeiros: desenvolvimento de mecanismos como crédito direcionado, fundos de investi mento, blended finance, debentures, incentivos regulatórios e instrumentos de mercado (Green Bonds, flow-through  shares) para substituir os incentivos fiscais tradicionais e promover desenvolvimento regional sustentável. 

• Sistema Integrado de Gestão de Investimento Público (GIP): porta de entrada única para projetos, com filtro  técnico e metodológico, priorização estratégica, rastreabilidade e transparência, conectando recursos do FNDR  (Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional) e PROPAG a projetos de alta qualidade. 

O PROTAGONISMO DAS SECRETARIAS DE FAZENDA

A mensagem central é clara: as Sefaz são a âncora da transformação do investimento público de qualidade. Sem sistema  integrado de TI, os projetos perdem rastreabilidade e a priorização torna-se impossível. Se as Secretarias de Fazenda  não protagonizarem a governança do FNDR e Propag, os resultados da reforma tributária podem ser limitados. 

A transição exige requalificação de servidores em tecnologia, análise de dados e nova legislação tributária, além  de mudança cultural profunda: de uma atuação predominantemente operacional para uma postura estratégica,  voltada à análise de dados, planejamento fiscal e articulação institucional.  

CONCLUSÃO

A reforma tributária representa simultaneamente um desafio e uma oportunidade histórica. Os desafios são  complexos e multidimensionais, abrangendo tecnologia, processos e pessoas. Com planejamento adequado,  investimento em modernização tecnológica e parceria com especialistas em gestão tributária e provedores de  tecnologias modernas, escaláveis e seguras, as Secretarias de Fazenda podem não apenas se adaptar ao novo  modelo, mas liderar uma transformação que promova uma nova forma de governar, na qual os dados são o  elemento central para a tomada de decisão e a entrega de melhores serviços à população. 

A aliança AWS+Deloitte+FGVl combina infraestrutura em nuvem robusta com consultoria especializada em  transformação do setor público, oferecendo às Secretarias de Fazenda estaduais e municipais o suporte necessário  para que a Reforma Tributária alcance todo o seu potencial, promovendo não apenas eficiência na arrecadação,  mas também justiça fiscal, transparência e desenvolvimento regional sustentável.


Paulo Cunha é Diretor de Setor Público da Amazon Web Services (AWS).

Edson Cedraz é sócio da Deloitte.

João Bernardo Bringel é professor do IBRE-Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Manoel Pires é professor do IBRE-Fundação Getúlio Vargas (FGV).


Os artigos escritos pelos “colunistas” não refletem necessariamente a opinião do Portal da Reforma Tributária. Os textos visam promover o debate sobre temas relevantes para o país.


Este artigo foi publicado anteriormente na 6ª edição da Revista da Reforma Tributária. Clique aqui para assinar e receber as próximas edições.

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