
Por Leonardo Alexandre, de São Paulo
Daniella Marques, economista e uma coordenadora do plano econômico do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), classificou a reforma tributária como “uma deforma”, em trocadilho. Ela defende que o texto seja aprimorado, avaliação dada em um evento com empresários e jornalistas em 19 de agosto no Hotel Majestic, em Florianópolis.
Apesar das críticas, Marques afastou a hipótese de revogar ou suspender a reforma em um eventual governo de Bolsonaro. “O objetivo não é congelar e sim aprimorar essa reforma”, declarou.
A reforma tributária cria o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Um dos objetivos declarados da mudança era simplificar o sistema tributário brasileiro.
“O objetivo de simplificar também não foi atingido”, disse Daniella Marques, ao comentar as alíquotas previstas para o IBS e a CBS, projetadas em torno de 27% a 29%, combinadas.
O percentual final do IBS e da CBS ainda não foi definido. Ele depende de cálculos do TCU (Tribunal de Contas da União), que tem até 15 de setembro para enviá-los ao Senado Federal, responsável por fixar a alíquota de referência até 31 de outubro.
Na avaliação de Marques, a reforma não cumpre a promessa de simplificação se a alíquota combinada ficar alta. Ela não detalhou quais mudanças concretas defende para corrigir esse ponto durante a fala no evento.
Formada em administração pela PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), Marques construiu carreira no mercado financeiro e passou pela equipe do ex-ministro Paulo Guedes no Ministério da Economia, antes de presidir a Caixa Econômica Federal em 2022.
Atualmente, a profissional é cotada para algum ministério em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
FLÁVIO E A REFORMA
O candidato e senador, Flávio Bolsonaro, 45 anos, traz em seu plano de governo aquilo que já defendeu publicamente diversas vezes: uma revisão da reforma tributária do consumo.
Inicialmente, a equipe de Flávio disse que isso seria realizado por meio de uma suspensão das regras atuais por 1 ano.
“O que estamos apresentando é um prazo de transição de um ano para rever esse modelo. Do jeito que está, vamos criar mais elisão, mais sonegação e mais evasão fiscal”, declarou o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), ao jornal O Globo em 20 de maio.
Depois, o candidato mudou o tom e afirmou que ainda não tinha certeza se suspenderia ou não as regras. “A gente está avaliando como vamos fazer isso ainda. Sobre suspensão ou não, sobre atualização ou não”, disse em 6 de agosto no podcast Market Makers.
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