
Por Enzo Bernardes, de Brasília
O candidato à presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) criticou na 3ª feira (25.ago.2026) a alíquota de 28% estimada para o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) e a criação do IS (Imposto Seletivo). O ex-governador de Goiás participou de uma sabatina eleitoral promovida pela TV Globo.
Na ocasião, Caiado afirmou ser incontestável a necessidade de ressarcimento de créditos à indústria e de criação de melhores condições para profissionais autônomos. Em contrapartida, considerou irônico o apelido dado ao IS, de “Imposto do Pecado”.
“O pecado quem está fazendo é o [presidente] Lula, porque ele vai colocar um Imposto Seletivo […] Amanhã é um cheque sem fundo que o brasileiro está dando a ele, que ele vai aumentar a carga tributária, que já é de 32% hoje, vai aumentar para 34%“, disse, sem apresentar fontes para os dados.
Segundo ele, revisar os temas não representaria um retrocesso, mas permitiria reavaliar os pontos positivos e fazer simulações com outras alternativas.
A projeção de um IVA próximo de 28% foi compartilhada em janeiro de 2025 pelo Ministério da Fazenda.
O candidato já havia defendido, em 22 de junho, a necessidade de fazer uma análise mais ampla da reforma tributária na prática. Entretanto, disse não ser contra a atualização das regras. Em 7 de agosto, sugeriu rever pontos da reforma que, para ele, prejudicam a iniciativa privada.
Na Globo, o presidenciável também voltou a mencionar o modelo de reforma tributária inspirado na Índia. Ele afirmou que o país asiático tem uma taxa de informalidade de 90% e que essa realidade não pode ser comparada à brasileira.
Segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), 90% da força de trabalho da Índia está no “setor não organizado”. Ou seja, a menção do candidato está alinhada com o que diz o órgão.
Caiado também questionou a forma como a reforma tributária foi votada no Congresso Nacional. Segundo ele, uma emenda à Constituição que afeta 215 milhões de brasileiros não deveria ser votada por meio de voto virtual (durante a deliberação da proposta na Câmara, a sessão foi realizada em regime semipresencial).
Apesar das divergências, Caiado afirmou concordar com a redução da burocracia e a simplificação: “O que você tem que imaginar é que você vai tratar com todos os segmentos da sociedade. Um cidadão que mora lá no Amapá, o outro que mora no Rio Grande do Sul, o outro que mora em Pernambuco e o outro que mora no Acre. Então você tem que saber da realidade […] qual foi a simulação que foi feita“, disse.
PLANO DE GOVERNO
Uma reportagem publicada pelo Portal da Reforma Tributária em 18 de agosto detalha as principais propostas de cada candidato à presidência para a reforma tributária. Também aborda outros temas que envolvem impostos. Acesse aqui.
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