Reforma tributária: “Não precisa iniciar a discussão constitucional inteira”, diz integrante da equipe de Flávio Bolsonaro

Da esquerda para a direita: Flávio Bolsonaro e Daniella Marques – Foto: Reprodução via YouTube

Por Redação

Daniella Marques, economista e coordenadora do plano econômico do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta 3ª feira (6.out.2026) que, se eleita a chapa, o governo irá revisar a reforma tributária, mas sem a necessidade de uma nova discussão constitucional.

“O arcabouço de um IVA [Imposto sobre Valor Agregado] é o que funciona em vários lugares do mundo, mas do jeito que está é impraticável. É isso, a gente vai ter que aprimorar […] Não precisa iniciar a discussão constitucional inteira“, disse Daniella, em entrevista ao canal Claudio Dantas.

Segundo a economista, a reforma representa um retrocesso para o Simples Nacional e pode pressionar a inflação de produtos e serviços. Ela criticou o fato da escolha da tributação para empresas do Simples Nacional ocorrer antes da definição da alíquota da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

Daniella citou a Hungria, que tem atualmente o maior IVA do mundo, de 27%, e afirmou que o teto de 26,5% estabelecido pelo Congresso foi definido para evitar que o Brasil tivesse uma alíquota superior à húngara.

A coordenadora avalia que as exceções da reforma tributária “deformaram” o projeto: “Eu chamo de deforma tributária“.

SPLIT PAYMENT

Daniella afirmou que, se eleito, o governo de Flávio Bolsonaro não dará continuidade ao split payment, mecanismo de recolhimento automático de tributos previsto na reforma tributária.

“Ele [presidente Lula] além de taxar e aumentar o IOF, tira o último fôlego do cara [empresário] que é o capital de giro entre ele vender e receber, porque recebe no cartão. Ele já vai taxar na frente. De forma simplificada é isso […] Simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno [empresário] , que já está asfixiado“, disse Daniella.

Daniella citou o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC) e Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica, que também criticaram o split payment anteriormente.

ENTENDA

O cenário eleitoral pode influenciar a reforma tributária. O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) foi o mais votado no 1º turno, com 47,03% dos votos válidos, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em seu plano de governo, Flávio defende aquilo que já defendeu publicamente diversas vezes: uma revisão da reforma tributária do consumo. Ele critica a estimativa de IVA próximo de 30% e afirma que isso afasta o Brasil dos padrões de países desenvolvidos. 

  • A equipe econômica de Flávio não é contra a criação da CBS, mas pontos que podem ser ajustados ao longo do próximo governo.
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