Reforma exige preparação antecipada e integração entre áreas, avalia vice-presidente de finanças e tributário da Fini

Por Leonardo Alexandre, de São Paulo.

A reforma tributária já faz parte da rotina de empresas que se preparam na transição para o novo sistema. Para Amanda Araújo, vice-presidente de finanças e tributário da Fini, o caminho exige antecipar mudanças, preparar equipes e aproximar áreas que, muitas vezes, trabalham de forma isolada. A avaliação foi feita durante participação no podcast Tax Capital, do Portal da Reforma Tributária, gravado em dois de Julho de Agosto, em São Paulo.

Amanda participou da conversa ao lado de Caroline Souza, CFO (diretora financeira) da empresa de tecnologia ROIT. A entrevista foi conduzida por Douglas Rodrigues, editor-chefe do Portal.

Segundo Amanda, a Fini iniciou sua preparação há cerca de 2 anos. A empresa criou um comitê interno para acompanhar as mudanças e estruturou um planejamento que abrange todas as etapas da transição até 2033, contando com o apoio de uma consultoria externa.

“A jornada da reforma tributária começou há 2 anos. Nós temos um time interno que foi preparado e ficou acompanhando toda a parte legislativa”, afirmou.

Para a executiva, não existe uma fórmula pronta. Cada operação tem particularidades e deve compreender como as mudanças afetarão o modelo de negócio. Na Fini, o planejamento contempla desde a indústria e as vendas B2B (business to business) até a rede de mais de 400 franquias espalhadas pelo país.

Ela relata que a preparação começou pelas pessoas, com a capacitação de profissionais de diferentes frentes. Em seguida, foram mapeados os impactos em setores estratégicos, como compras, logística, jurídico e comercial.

“Você precisa saber traduzir isso no operacional. E aí vem a segunda parte importante, que é, de fato, o processo. Você não consegue tocar uma reforma tributária com a empresa operando. Você tem que tocar as duas coisas”, disse.

TECNOLOGIA E FLUXO DE CAIXA

A tecnologia também foi um ponto central da conversa. Caroline (ROIT) destacou que as empresas precisarão de sistemas cada vez mais integrados, especialmente para gerir o volume de informações exigido pela reforma.

Para ela, aguardar a definição completa de todas as regras pode custar um tempo de preparação.

“Não podemos ignorar os fatos e trabalhar como sempre trabalhamos, esperando que tudo dê certo em 2027. É fundamental antecipar esses movimentos”, afirmou.

Caroline sintetizou a preocupação com uma fala: “Receita é vaidade, lucro é sanidade e caixa é rei”. Para a tributarista, resultados contábeis positivos não garantem a sobrevivência se não houver liquidez para manter a operação.

Amanda também ressaltou que o funcionamento do split payment ainda demanda um acompanhamento minucioso.

“Muitas mudanças ocorrerão ao longo da implementação, o que exigirá monitoramento constante e uma visão clara do impacto interno na organização”, disse.

CADEIA DE FORNECEDORES

Segundo Amanda, a preparação para a reforma deve extrapolar os limites da organização, envolvendo também fornecedores, clientes e franqueados.

A Fini vem promovendo ações para orientar seus franqueados sobre as mudanças. O mesmo cuidado é dedicado a fornecedores estratégicos, especialmente pequenos negócios que podem ser vulneráveis à alteração do sistema tributário.

“Como indústria, devemos garantir que eles tenham condições de manter o fornecimento. O Brasil é movido por pequenos empreendedores que serão fortemente impactados”, afirmou.

Para Amanda, zelar por toda a cadeia é um pilar da sustentabilidade empresarial:“O papel de uma empresa sustentável é permitir que sua cadeia de valor prospere, com bons contratos, governança e lucratividade.”

Ao final, Amanda e Caroline reforçaram que a reforma tributária não é exclusividade do departamento fiscal. Trata-se de uma mudança transversal que envolve estratégia, tecnologia, finanças e o jurídico.

A mensagem principal foi a urgência da preparação antecipada. Em um cenário de constantes ajustes e regulamentações, a agilidade em adaptar processos será o grande diferencial competitivo das empresas.

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