Contadores buscam novas formas de monetizar e precificar serviços com a reforma tributária

Na imagem Davi Gonçalves, (Diretor Geral da contabilidade.net) – Foto: Leonardo Alexandre via Portal da Reforma Tributária

Por Leonardo Alexandre, de São Paulo

Os contadores estão buscando novas formas de monetizar sua operação, em um momento de alta automação de serviços e a chegada da reforma tributária, que promete acabar com obrigações acessórias e reduzir a burocracia. Esta última, só a partir de 2033, quando acaba a implantação do novo sistema.

Os profissioanis contábeis debateram o tema no primeiro dia do evento “Reforma Tributária Ao Vivo“, em São Paulo, nesta 6ª feira (25.set.2026). Os especialistas Davi Gonçalves e Pedro Nery ensinaram escritórios de contabilidade a ganhar dinheiro extra cobrando por novos serviços ligados à reforma, como consultoria de acompanhamento e recuperação de tributos pagos a mais no passado.

Davi defendeu que os escritórios dividam os clientes em 3 grupos, cada um cobrado de um jeito diferente.“Para 85% dos meus clientes, eu vou aumentar o honorário. Para 10%, eu vou vender um diagnóstico pontual. E para 5% da minha carteira, eu vou vender uma consultoria”, disse o consultor.

O Portal da Reforma Tributária esteve no evento e traz os principais pontos do que foi ensinado aos contadores.

QUAL O DIAGNÓSTICO?

  • O diagnóstico, segundo Davi, é um serviço cobrado uma única vez, entre R$ 2 mil e R$ 15 mil dependendo do regime tributário do cliente, para descobrir se vale a pena trocar o Simples Nacional por uma das opções que passam a existir com o IBS e a CBS. Essa escolha é necessária porque a reforma cria, ao lado do Simples Nacional tradicional, um regime híbrido, no qual a empresa recolhe parte dos tributos pelas regras antigas e parte pelo novo modelo, e cabe ao contador ajudar o cliente a decidir qual opção pesa menos no bolso.
  • Já a consultoria é paga todo mês, e não uma única vez como diagnóstico. Ela serve para acompanhar, ao longo do tempo, como a transição afeta o preço dos produtos, o fluxo de caixa e os contratos do cliente com fornecedores, e é vendida para empresas maiores, com contratos citados por ele em valores de R$ 100 mil a R$ 130 mil, além de mensalidades de R$ 1.500 a R$ 3.700.

Outra forma de ganhar dinheiro apresentada por Gonçalves é ajudar o cliente a recuperar créditos tributários, ou seja, valores que a empresa pagou a mais de impostos no passado e tem direito a reaver. Ele deu como exemplo a exclusão do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do cálculo do PIS (Programa de Integração Social) e da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), disputa que os contribuintes ganharam no Supremo Tribunal Federal e ficou conhecida como “tese do século”.

“Além de faturar R$ 70 mil pra consultoria, eu achei R$ 1,8 milhão, como nova receita”, disse o consultor, ao contar o caso de um cliente que tinha créditos tributários sem usar. Segundo ele, o contador que presta esse tipo de serviço costuma ficar com uma parte do valor recuperado, o que explica por que a recuperação de créditos pode render mais do que a própria consultoria que deu origem ao trabalho.

O executivo também citou a tributação das altas rendas, mudança separada da reforma do IBS e da CBS que passa a cobrar mais Imposto de Renda sobre dividendos altos a partir do ano que vem, como mais uma frente de consultoria mensal. Segundo ele, os escritórios do seu programa de mentoria faturaram, juntos, R$ 37 milhões em um ano com esses serviços, além do que já ganhavam com a contabilidade comum.

Pedro Nery, disse que o conteúdo apresentado vem da prática de contadores que já usam essas estratégias no dia a dia, e defendeu que quem participou do evento agora precisa ensinar isso aos próprios clientes. “Agora não é só aprender o conteúdo, é aprender a ensinar, porque todos vocês, sem exceção, vão precisar ensinar isso para os seus clientes“, disse Nery.

MAIOR OBSTÁCULO

  • Nery também disse que o maior obstáculo para os contadores ganharem mais dinheiro com a reforma não é falta de oportunidade, mas o receio de cobrar por ela. “No passado era difícil cobrar nada. Hoje não. Hoje você pode cobrar o preço justo”, disse Nery.
  • Ele também apresentou a estruturação de holdings patrimoniais, feitas em parceria com advogados, como outra forma de gerar receita a partir da reforma, já que esse tipo de empresa pode reduzir o impacto da nova cobrança de Imposto de Renda sobre a distribuição de lucros a sócios de alta renda.

Fotos: Leonardo Alexandre via Portal da Reforma Tributária

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