IA coloca tecnologia e mercado contábil “no mesmo barco” dos contadores, diz CEO da Omie

Por Leonardo Alexandre, de São Paulo

O fundador e CEO da Omie, Marcelo Lombardo, disse nesta 5ª feira (24.set.2026) que a reforma tributária e a IA (Inteligência Artificial) mudaram tanto o mercado que colocaram até as empresas de tecnologia no mesmo patamar dos escritórios de contabilidade, todos obrigados a se adaptar sob risco de ficar para traz. A fala foi apresentada durante o Conecta Day São Paulo, evento da Omie para contadores realizado no Espaço Unimed, na capital paulista, com o tema “Reforma Tributária, IA e Tecnologia”.

O encontro em São Paulo é uma das paradas de uma série de eventos, que a Omie, fornecedora de sistemas de gestão para escritórios contábeis, promove em diferentes cidades ao longo do ano para discutir os efeitos da reforma tributária e da IA sobre a rotina dos contadores. O Portal da Reforma Tributária esteve presente no local e trás insights do que foi o evento.

“Tudo que a gente conhece e vem trabalhando em termos de sistema nos últimos anos mudou. Da água para o vinho mudou 180 graus, virou de cabeça para baixo. E, de repente, se a gente não mudar, a gente vai morrer. O feitiço virou contra o feiticeiro. Estamos todos no mesmo barco aqui, gente. Estamos todos no mesmo lado da mesa, todos no mesmo barco”, disse Lombardo.

O executivo lembrou que já repetia havia anos, para o público de contadores, que a modernização tecnológica não era mais opcional. Ele afirmou que agora é a própria Omie que também precisa se transformar para acompanhar o avanço da IA, rumo ao que chamou de empresa “AI-first”. Na prática, segundo Lombardo, isso significa reorganizar produtos e processos internos para que a Inteligência Artificial deixe de ser um recurso adicional dentro dos sistemas e passe a orientar, desde o início, a forma como a empresa constrói suas soluções para os escritórios de contabilidade.

Também presente no evento, Antonio Carlos, presidente do Sescon-SP defendeu que os escritórios de contabilidade não podem se omitir diante da reforma tributária. “O maior perigo das empresas de contabilidade que vão ficar pelo caminho é se omitir nesse momento da reforma tributária e achar que não precisam orientar os seus clientes a respeito das mudanças da reforma”, disse.

Antonio Carlos defendeu ainda que os escritórios revisem os próprios preços antes que a transição tributária avance. “Reprecifique o seu preço agora. Se você não precificar seu preço agora, você vai bancar a reforma tributária do seu cliente por 7 anos com a sua margem”, afirmou. A referência aos 7 anos remete ao período de transição entre o sistema tributário atual e o novo modelo do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) dual, formado pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que começa em 2026 e só se completa em 2033.

Para o dirigente, o problema vai além dos preços cobrados. “O mercado contábil está habituado a operar um sistema ruim”, disse Antonio Carlos, presidente do Sescon-SP, ao situar a Reforma Tributária e a chegada da IA como uma oportunidade para o setor rever a própria forma de operar, e não só se adaptar às novas obrigações fiscais.

Durante o evento, Rafael Olmos, diretor de operações da Omie revelou que a empresa caminha cada vez mais ter serviços financeiros junto ao ERP. Com o avanço da tecnologia, a Omie já consegue endereçar dentro de uma plataforma a possibilidade de uma empresa receber pagamentos, emitir nota fiscal, fazer o controle contábil, emissão de cartões e depois extrair relatórios com IA, fluidamente. “A gente está tentando integrar serviços financeiros à operação do ERP para potencializar o grau de automação que a gente entrega para os nossos clientes, PMEs (pequenas e médias empresas)”, disse Olmos

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