
Por Douglas Rodrigues, de São Paulo
Quem reformou o sistema tributário do consumo brasileiro quer fazer o mesmo com o Orçamento federal. E para dar o primeiro passo público nessa direção, Eurico de Santi escolheu o estilo que lhe é característico: reunir as pessoas certas, no ambiente certo, e transformar o lançamento de uma ideia em acontecimento.
A Santi — nome sugerido por um participante como trocadilho com o sobrenome do anfitrião — aconteceu na noite de 30 de maio na capital paulista e reuniu cerca de cem convidados em lista fechada. Não foi um evento aberto ao público. Foi, nas palavras de quem esteve lá, uma convocação.
“A ideia foi do DJ Felipe Venâncio”, admitiu Santi, com seu humor habitual, ao abrir a noite. “Eu tinha vergonha de sugerir meu próprio nome. Mas caí nessa.”
LISTA EXCLUSIVA
A lista refletia a ambição do projeto. Diretores e diretoras das maiores instituições públicas e financeiras do Brasil dividiram o espaço com auditores fiscais, tributaristas, advogados, empresários e jornalistas. O perfil era deliberado: pessoas com capacidade de mover agendas, formadoras de opinião dentro dos sistemas que a proposta pretende transformar.
Ao lado de Santi, coautor intelectual da Reforma Tributária do Consumo aprovada em 2024, estava Nelson Machado — economista, ex-ministro e também diretor-fundador do CCiF. Foi Machado quem trouxe o enquadramento da noite à plateia, apontando o Orçamento público como a gênese dos problemas que dominam o noticiário: emendas parlamentares mal aplicadas, obras paradas, falta de recursos em universidades e postos de saúde.
“Poucas pessoas compreendem o que significa o orçamento e para que ele serve”, disse Machado. “Quando deveria ser muito simples.”
LANÇAMENTO
O CCiF apresentou as diretrizes centrais de uma proposta de reforma orçamentária — a próxima grande agenda do grupo que ajudou a construir o consenso em torno da reforma tributária. A intenção declarada é levar o debate a candidatos à Presidência e ao conjunto da sociedade antes das eleições de 2026.
“A reforma tributária que passou não foi a reforma possível. Foi a reforma dos nossos sonhos”, lembrou Santi, sinalizando que o mesmo método — o que ele chama de “aproximações sucessivas”, de construção de consenso por conversas — será aplicado agora ao tema orçamentário.
A edição da Revista da Reforma Tributária foi distribuída aos presentes durante o evento.
A festa
O rigor técnico cedeu espaço à celebração. O encerramento da Santi teve apresentação de dançarinas, vinho, petiscos e o clima de quem comemora mais do que um lançamento, comemora um movimento que está começando. Fiel ao próprio nome, o evento foi exatamente o que prometia: um cruzamento entre instituição e festa, entre propósito e diversão.
Se a reforma tributária levou anos de articulação silenciosa antes de virar lei, a noite paulista sinalizou que o relógio da próxima grande mudança fiscal do Brasil começou a correr.



