“Quanto mais próximo da luz, maior será sua sombra…”

São Jerônimo
São Jerônimo, de Caravaggio. A obra é um exemplo do chiaroscuro, técnica marcada pelo forte contraste entre luz e sombra, característica do pintor – Foto via Reprodução

Por Leo Rosa

Vivemos em um mundo regido por leis imutáveis. Uma das mais observadas e universais é a lei de causa e efeito. Todo grande avanço ou criação traz consigo implicações que transcendem as intenções originais de seus idealizadores.

Quando os alquimistas chineses, ao tentar criar o elixir da imortalidade para os imperadores, misturaram salitre (nitrato de potássio), enxofre e carvão, desencadearam uma reação explosiva em vez de alcançar a vida eterna. O primeiro uso dessa invenção foi voltado para o encanto dos fogos de artifício. Contudo, pouco tempo depois, surgiu a sombra dessa descoberta: a aplicação na criação de armas e tecnologia militar.

Seguindo essa mesma evolução e lei imutável, em meados de 1938-1939, a fissão nuclear (divisão do núcleo atômico) foi descoberta na Alemanha por Otto Hahn e Fritz Strassmann. Em 1942, o físico Enrico Fermi construiu o Chicago Pile-1, o primeiro reator nuclear a atingir uma reação em cadeia controlada.

No início, a intenção era puramente a pesquisa científica e acadêmica (a luz). Porém, após o desenvolvimento do reator, essa mesma energia foi liberada de forma devastadora em 1945, nos testes e nos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki.

“Grandes projetos idealizados para o progresso carregam a responsabilidade de vigilância constante contra desvios e interesses escusos.”

Trago essa reflexão pois a Reforma Tributária brasileira foi pensada, organizada, compilada e planejada ao longo de anos, reunindo os melhores tributaristas, doutores, professores e profissionais da área com o nobre objetivo de construir uma Nação fundada na justiça, na igualdade, na simplificação e na unificação de tributos (a luz).

Porém, como demonstrado nos exemplos históricos anteriores, não podemos nos esquecer nem deixar de estar atentos ao mau uso por parte de aproveitadores, que possam utilizar as brechas para distorcer as finalidades originais e se beneficiar em detrimento da sociedade (a sombra).


Leo Rosa nasceu em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, e vive atualmente em São Paulo. É casado, pai de duas filhas e atua profissionalmente na área de vendas.


Os artigos escritos pelos “colunistas” não refletem necessariamente a opinião do Portal da Reforma Tributária. Os textos visam promover o debate sobre temas relevantes para o país.

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