Minuta de PEC que adia reforma não está protocolada e tem baixa chance de aprovação

O Congresso Nacional
O Congresso Nacional – Foto via Freepik

Por Redação

Circula em grupos de WhatsApp a minuta de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para adiar a cobrança integral da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) para 2028 e prolongar a transição para o novo tributo. 

Diante disso, postagens nas redes sociais dão a entender que a reforma pode ser postergada.

Ocorre que a PEC ainda não está protocolada na Câmara dos Deputados até o momento da publicação desta reportagem. 

Muito provavelmente, o texto está na fase de assinaturas. São necessários ao menos 171 signatários para que uma PEC comece a tramitar na Casa.

Mesmo protocolada, a tendência é haver pouco espaço para aprovação da proposta principalmente por 2 fatores.

FATOR REGIMENTAL

Em geral, PECs têm tramitação demorada. Após serem protocoladas, são analisadas pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania). 

O colegiado avalia se o texto respeita as regras constitucionais. Se aprovada, a proposta segue para uma comissão especial, responsável por discutir o mérito e apresentar um parecer.

Essa etapa pode ser pulada caso a Câmara aprove um requerimento de urgência, com votos favoráveis da maioria absoluta dos deputados, ou seja, pelo menos 257 dos 513 parlamentares.

A PEC é então votada pelo Plenário em 2 turnos. Para ser aprovada, precisa receber pelo menos 308 votos favoráveis (3/5 dos deputados) em cada votação. O quórum é fixo, independentemente do número de parlamentares presentes.

Se aprovada nos dois turnos, a proposta segue para o Senado, onde também precisa passar por duas votações e receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada uma. 

FATOR POLÍTICO

Uma PEC precisa ser pautada para ser apreciada. Isso é função do presidente da Câmara, atualmente, Hugo Motta (Republicanos-PB). 

No momento, Motta está alinhado com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) –que até agora não pretende promover um adiamento da reforma. 

O mesmo vale para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que se mostrou um aliado de Lula durante as eleições.

CRONOGRAMA MANTIDO

Ao que tudo indica, o cronograma da CBS está mantido: a contribuição entra em vigor em 1º de janeiro de 2027. 

O TCU (Tribunal de Contas da União) propôs uma alíquota de 11,3% para o novo tributo, valor que ainda precisa ser fixado pelo Senado.

Mesmo com a CBS mantida, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta 5ª feira (5.nov.2026) que o governo pode estender prazos de multa e de prestação de informações acessórias, se necessário, para evitar insegurança no setor produtivo.

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