Eleições: contador tem que estar preparado para a reforma tributária independente de quem for eleito, diz presidente do CRC-DF

Na imagem, o presidente do CRC-DF, Darlan de Lima Barbosa – Foto: Reprodução via CRC-DF

Por Enzo Bernardes, de Brasília

O presidente do CRC-DF (Conselho Regional de Contabilidade do Distrito Federal), Darlan de Lima Barbosa, disse nesta 4ª feira (7.out.2026) que o contador tem que estar preparado para as mudanças da reforma tributária independentemente de quem ganhar as eleições presidenciais de 2026.

“O CRC-DF é neutro em relação às disputas eleitorais, mas entende o contexto de mudança […] O período eleitoral é o período da democracia, onde a população vai escolher e definir. Independentemente do candidato, o profissional de contabilidade tem que estar preparado para essas mudanças“, disse o presidente, ao ser questionado pela redação do Portal da Reforma Tributária sobre o cenário atual.

As falas ocorreram no evento “Reforma Tributária pelo Brasil – Edição Distrito Federal”, realizado pela Fenacon (Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas) em parceira com o CFC (Conselho Federal de Contabilidade), em Brasília.

Darlan disse que mesmo em um cenário de permanência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a continuação do projeto da reforma, existem ajustes sendo feitos, prazos prorrogados e dificuldades tecnológicas, inclusive em relação ao split payment.

“É perfeitamente normal. É uma dificuldade de implementar uma mudança gigantesca, num sistema tributário complexo, num período de transição e dois sistemas coexistindo“, disse.

O presidente do CRC-DF avalia que em um cenário de mudança de governo, em caso de vitória do candidato Flávio Bolsonaro (PL), podem haver mudanças mais profundas, porém mantendo a essência da reforma tributária com a implementação do IVA (Imposto sobre Valor Agregado).

Segundo ele, as premissas da busca por simplificação, modernização da lógica tributária e o fim da guerra fiscal devem permanecer com base na emenda constitucional já aprovada.

Para Darlan, o que o profissional da contabilidade pode fazer é se atualizar, ficar atento às comunicações de entidades superiores e estar pronto para atender seus clientes.

ELEIÇÕES

O cenário eleitoral pode influenciar a reforma tributária. O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) foi o mais votado no 1º turno, com 47,03% dos votos válidos, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em seu plano de governo, Flávio defende aquilo que já defendeu publicamente diversas vezes: uma revisão da reforma tributária do consumo. Ele critica a estimativa de IVA próximo de 30% e afirma que isso afasta o Brasil dos padrões de países desenvolvidos. 

  • A equipe econômica de Flávio não é contra a criação da CBS, mas pontos que podem ser ajustados ao longo do próximo governo.

Daniella Marques, economista e coordenadora do plano econômico do candidato, disse na 3ª feira (6.out.2026) que, se eleita a chapa, o governo irá revisar a reforma tributária, mas sem a necessidade de uma nova discussão constitucional.

Segundo a economista, a reforma representa um retrocesso para o Simples Nacional e pode pressionar a inflação de produtos e serviços. Ela criticou o fato da escolha da tributação para empresas do Simples Nacional ocorrer antes da definição da alíquota da CBS.

Ela também disse que um eventual governo de Flávio não daria continuidade ao split payment, mecanismo de recolhimento automático de tributos previsto na reforma tributária.

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