A vantagem competitiva da reforma tributária não está na legislação, está nos dados

Imagem: Reprodução via Magnific

Por Fernando Moura

Quando se fala em implementação da Reforma Tributária, grande parte das discussões gira em torno da legislação. Novas regras, alíquotas, documentos fiscais, sistemas etc. Todos esses temas são extremamente relevantes, mas talvez a transformação mais profunda esteja acontecendo em outro lugar: na qualidade das informações utilizadas pelas empresas na tomada de decisões estratégicas.

Durante décadas, inconsistências cadastrais, falhas na integração entre sistemas ou informações tributárias incompletas representavam, na maioria das vezes, retrabalho operacional. Corrigir um cadastro, ajustar uma parametrização ou revisar uma classificação fiscal era, normalmente, uma atividade voltada à conformidade.

No novo ambiente, a qualidade dos dados deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a influenciar diretamente o resultado financeiro das empresas. Exemplos:

  1. Um cadastro inconsistente pode comprometer o aproveitamento de créditos;
  2. Uma classificação incorreta pode gerar tributação inadequada;
  3. Uma informação desatualizada pode afetar a formação de preços.

Dados inconsistentes podem comprometer contratos, dificultar a gestão de fornecedores e reduzir a confiabilidade das informações utilizadas pela Administração na tomada de decisões. O problema já não está apenas no cumprimento da legislação. Ele está na capacidade da empresa de produzir informações confiáveis. Durante muito tempo investimos em tecnologia acreditando que ela, por si só, resolveria nossos desafios.

Mas existe um fato que a Reforma Tributária torna ainda mais evidente: tecnologia não corrige dados ruins. Ela apenas processa esses dados com mais velocidade, de forma que o verdadeiro diferencial competitivo não será obter mais informações e, sim, obter informações mais confiáveis.

Governança tributária deixa de significar apenas controle sobre obrigações fiscais, e passa a ser controle sobre a qualidade do dado desde a sua origem. Quem produz essa informação? Quem é responsável por validá-la? Está integrada aos demais sistemas da empresa? Essas perguntas, que antes pareciam restritas à área de Tecnologia da Informação, passam a fazer parte da agenda dos departamentos tributários, financeiros e da alta Administração.

A Reforma Tributária amplia a dependência entre áreas. Tributário, tecnologia, compras, financeiro, controladoria e operações passam a compartilhar responsabilidade sobre a qualidade da informação. Quanto maior essa integração, maior tende a ser a capacidade da empresa de transformar conformidade em eficiência operacional.

Essa talvez seja uma das maiores mudanças trazidas pelo novo sistema tributário. A vantagem competitiva deixa de estar exclusivamente na interpretação da legislação e passa a depender da qualidade dos dados que sustentam as decisões empresariais.

Empresas que compreenderem essa mudança investirão menos tempo corrigindo erros e mais tempo gerando valor. As demais poderão descobrir que o maior obstáculo para a implementação da Reforma Tributária nunca esteve na complexidade da legislação, mas na confiabilidade das informações que alimentam seus processos.

No novo ambiente tributário, informação confiável deixa de ser um diferencial operacional e passa a ser uma vantagem competitiva.


Fernando Moura é sócio-diretor da QualityTax. Pós-graduado em gestão em contabilidade e tributação pela Universidade Federal Fluminense. Bacharel em contabilidade pela Universidade Cândido Mendes e em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Membro do ICBR (Instituto dos Contadores do Brasil) e do Ibrapp (Instituto Brasileiro de Planejamento Patrimonial).


Os artigos escritos pelos “colunistas” não refletem necessariamente a opinião do Portal da Reforma Tributária. Os textos visam promover o debate sobre temas relevantes para o país.

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