CBS de 11,3%: alíquota altíssima num Brasil sem fôlego

Foto: Reprodução via Freepik

Por Rubens Tavares

Só a parte federal do nosso novo IVA já é maior do que o IVA total do Japão, da Austrália, da Suíça e de Singapura.

Semana passada o TCU aprovou a alíquota de referência da CBS para 2027: 11,3%. Japão e Austrália cobram 10%. Singapura, 9%. Suíça, 8,1%.

E é só metade da conta. Com o IBS de estados e municípios completo, o próprio governo já estimou um IVA total entre 26,5% e 28%. A Hungria, recordista mundial, cobra 27%.

Somos ouro no juro real. Agora disputamos o ouro no IVA. Ninguém pediu essa dobradinha.

Por que tão alto? Porque a conta é de empate: a União precisa arrecadar o mesmo que com PIS, Cofins, IPI e IOF-Seguros, cerca de 4,99% do PIB. Só que mais de R$ 261 bilhões saíram da base em razão de alíquota zero, reduções, regime imobiliário, compras governamentais e cashback.

Funciona como a conta do restaurante. Metade da mesa ganhou desconto. A outra metade paga o resto, e o resto ficou maior.
Quem senta na metade paga? Os serviços. A empresa do lucro presumido que hoje recolhe 3,65% de PIS e Cofins passará a recolher 11,3%. Terá crédito, é verdade, mas serviço quase não compra insumo: o custo é gente, e folha não gera crédito.

Agora coloque os 11,3% no Brasil de outubro de 2026.

Juro real disputando com a Rússia o topo do mundo. Carga tributária de 32,4% do PIB, a maior da série do Tesouro. Recorde de 9,3 milhões de empresas inadimplentes e mais de 6.300 em recuperação judicial.

E o split payment em cima disso. Hoje o PIS e a Cofins de uma venda ficam no caixa até o dia 25 do mês seguinte. Com o split, a CBS sai no pagamento, e os 11,3% deixam de ser capital de giro.

Alíquota alta pesa no preço. Cobrada na hora, num país de juros campeão, pesa também no caixa. Mesmo número, estrago dobrado.

Sou a favor da reforma. Ela ataca a cumulatividade, a guerra fiscal e boa parte do contencioso que consome a margem das empresas. Defendo o destino. Só não confundo destino com estrada.

Warren Buffett ensina: só quando a maré baixa é que se descobre quem nadava pelado. A CBS de 11,3% é o nível da água em 2027.
Imposto alto não nasce de quem paga muito. Nasce de quem deixou de pagar.

A calculadora da reforma virou item de série. Todo mundo tem uma. É o ponto de partida, e só a ponta do iceberg.

O que decide o resultado fica debaixo d’água. Na BMS, traduzimos a reforma em atividades para cada cliente, com suas particularidades, em um plano de ação para proteger preço, margem e caixa.

O trabalho é conduzido por uma equipe liderada pela Dra. Juliana Zobaran, com ex-auditores das Big Four, advogados e contadores. Com tecnologia acelerando a execução, o cliente recebe retorno sobre o investimento, e não mais um PowerPoint de “as is” e “to be”.

O mercado já tem slide demais sobre a reforma. Falta um plano que caiba no caixa.

Na sua empresa, alguém já refez o preço com 11,3% de CBS e sem o prazo do imposto no caixa?


Rubens Tavares é CEO da BMS Consultoria Tributária.


Os artigos escritos pelos “colunistas” não refletem necessariamente a opinião do Portal da Reforma Tributária. Os textos visam promover o debate sobre temas relevantes para o país.

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