
Por Gabriel Benevides, de Brasília
O pré-candidato à presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), defendeu na 2ª feira (22.jun.2026) ser necessário fazer uma análise mais ampla da reforma tributária na prática. Entretanto, disse não ser contra a atualização das regras.
“Não é que eu seja contra, é que a gente tem que ver se aquilo procede”, declarou Caiado durante participação no evento “A indústria na agenda dos presidenciáveis”, realizado em Brasília pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). O Portal da Reforma Tributária acompanhou presencialmente.
O presidenciável citou alguns setores que seriam penalizados com a reforma, como prestadores de serviços e transportes aéreos. Defendeu que os temas devem ser avaliados antes da implementação da reforma.
“Precisamos entender que uma reforma vai mexer na vida de 215 milhões de brasileiros. Então, isso é algo que precisa ser avaliado, com as graduações que vão vir acontecendo. Para ver setores que não estão sobrevivendo”, afirmou.
Caiado disse ter ido à Índia para estudar a reforma tributária realizada no país asiático. Segundo ele, a observação prática das regras indianas traz dúvidas sobre a implementação do split payment no Brasil.
“Precisamos de poder avaliar todos os segmentos, gente. É isso que é a discussão. Por exemplo, eu fui lá [na Índia] buscar o split payment. Eles estão na frente de nós, mil anos, na área de tecnologia […] até hoje não conseguiram implantar”, declarou.
Split payment é um mecanismo de arrecadação em que o imposto é separado automaticamente do valor da compra no momento do pagamento e enviado diretamente ao governo, enquanto o vendedor recebe apenas o valor líquido da operação.
Outra crítica que o pré-candidato fez à reforma foi em relação ao Imposto Seletivo, a ser cobrado de produtos considerados danosos à saúde e ao meio ambiente. Para ele, a definição das alíquotas não pode ser função do time do presidente da República, porque pode-se penalizar setores de forma arbitrária.
“Vocês já imaginaram que vocês entregaram um imposto seletivo na mão de um presidente? […] Um imposto seletivo, posso aplicar ele aonde eu quiser, de acordo com a minha interpretação naquele texto da Constituição”, disse.
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