
Por Gabriel Benevides, de Brasília
Levantamento do Portal da Reforma Tributária com base em dados do Tesouro Nacional mostra que a carga tributária federal sobre renda, lucros e ganhos bateu recorde em 2025 –representando 9,16% do PIB (Produto Interno Bruto).
A carga tributária é a proporção de toda a riqueza produzida no país arrecadada pelo governo com impostos, taxas e contribuições.
O movimento foi muito influenciado pelo recorde no indicador para o IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte). Segundo especialistas, o movimento foi influenciado pelo mercado de trabalho fortalecido. Entenda mais nesta reportagem.

Profissionais consultados pelo Portal tentaram responder a uma dúvida: como se comportará a carga tributária sobre renda, lucros e ganhos agora que o país isentou de IR (Imposto de Renda) quem recebe até R$ 5.000 ao mês e adotou a tributação de dividendos, além do inédito Imposto Mínimo.
Genildo Rosales, CEO da Quality Tax, aposta que haverá uma alta em 2026 mesmo com a promessa de que a reforma da renda seja neutra do ponto de vista fiscal. Cita algumas medidas econômicas bancadas por Lula para este ano.
Segundo ele, o corte linear de 10% nos benefícios fiscais deve incrementar o indicador. Nesse caso, menciona a majoração de 10% na cobrança sobre a parcela da receita bruta que ultrapassou R$ 1,25 milhão por trimestre no Lucro Presumido. Todas essas medidas vieram por meio de uma lei complementar (LC 224 de 2025).
“Tivemos um incremento recente, com a mudança da norma, tanto para o aumento de presunção do Imposto de Renda e contribuição social, quanto pela criação da tributação de dividendos, que antes eram isentos”, explicou.
João Pedro Leme, da Tendências Consultoria, ressalta que ainda é cedo para fazer uma previsão. Porém, cita que a arrecadação atual com a tributação de dividendos não tem sido performada com tanta intensidade no começo de 2026.
“O efeito aqui ainda não é muito claro, sobretudo pelo fato de que, com o anúncio da reforma [da renda] no ano passado, houve um adiantamento muito significativo da distribuição de dividendos. Então, não estamos vendo, nesse momento pelo menos, uma grande arrecadação com isso”, diz o consultor da Tendências.
Os dados mais recentes da Receita Federal mostram que o governo arrecadou R$ 885 milhões com a tributação de dividendos em 2026 até abril. Isso é só 2,5% do total esperado com todas as compensações do novo Imposto de Renda, estimado pela equipe econômica em aproximadamente R$ 34 bilhões.
Sócia consultora do Instituto de Finanças Públicas e ex-secretária de Economia de Goiás, Selene Nunes entende que o IRPJ (Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica) deve sair fortalecido com a reforma da renda. Para ela, o efeito será“distributivo”.
“Tem um efeito distributivo. Tenta desonerar quem ganha menos de R$ 5.000. Isso tem uma perda de Imposto de Renda. Mas, por outro lado, procura tributar mais empresas. Então, para o IRPJ, o movimento é o contrário”, explica.
ENTENDA A REFORMA DA RENDA
O ponto principal da lei (nº 15.270 de 2025) que institui as regras é a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 ao mês (R$ 60.000 ao ano).
Pessoas que recebem de R$ 5.000,01 e R$ 7.350 por mês terão um desconto progressivo na tabela do Imposto de Renda. O objetivo é fazer uma transição gradual para evitar o desincentivo ao aumento de rendimento.
Rendimentos de R$ 600 mil até R$ 1,2 milhão por ano passaram a ter uma escala gradual de Imposto Mínimo. A alíquota também vai considerar uma fórmula matemática:
- (renda anual tributável – R$ 600 mil) / R$ 600 mil x 10% = alíquota efetiva
Um trabalhador vinculado à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) com salários que somam R$ 600 mil ao ano não precisará pagar o Imposto Mínimo. Isso porque o IR é cobrado já na folha de pagamento.
Será cobrado o Imposto Mínimo cheio de 10% para as rendas tributáveis acima de R$ 1,2 milhão. Isso significa que haverá uma cobrança adicional em relação à atual, que tende a ficar abaixo desse percentual para as rendas mais altas.




