MP do Imposto Seletivo pode ser enviada hoje, diz ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda Dario Durigan em entrevista a jornalistas em 3 de novembro de 2026 – Foto: Washington Costa via MF

Por Enzo Bernardes, de Brasília

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a MP (medida provisória) com as alíquotas do IS (Imposto Seletivo) pode ser enviada nesta 3ª feira (3.nov.2026) ao Congresso Nacional.

Durigan afirmou que o texto deve ser despachado pela Fazenda ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e há a expectativa de que seja enviado ao Legislativo. As declarações foram feitas nesta 3ª feira (3.nov.2026) a jornalistas, na sede do Ministério da Fazenda, em Brasília.

O ministro disse que os setores impactados pelo chamado “Imposto do Pecado” tem um acordo para que seja mantida a carga do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) em 2027.

Segundo ele, será necessário ajustar a base de cálculo, já que o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) integra a base do IPI.

“Quando a gente expurga para limpar a base de cálculo do novo tributo, que é o Imposto Seletivo, você tem um ajuste na alíquota a ser feito. Mas isso foi feito a várias mãos com os setores, que deram esse ‘ok’ para que a gente siga em comum acordo agora para o Congresso“, disse.

Durigan confirmou que poderá haver uma extensão do IPI para esses setores durante o mês de janeiro de 2027. Segundo ele, essa proposta “pode” ser enviada junto à MP do Seletivo, valendo apenas aos setores atingidos pelo IS, mas precisa ser aprovada até o fim do ano enquanto EC (Emenda Constitucional).

O ministro também disse que esse tema já está de acordo com os setores. O Seletivo precisa respeitar um prazo de 3 meses para começar a valer, a chamada noventena. Ou seja, só seria cobrado a partir de fevereiro.

Como grande parte do IPI acaba em janeiro, o primeiro mês do ano ficaria sem tributação de produtos considerados nocivos à saúde e ao meio ambiente –como cigarros e bebidas alcoólicas. O governo também perde arrecadação nesse cenário, porque não haveria cobrança.

O Imposto Seletivo é previsto na reforma tributária e incidirá sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente a partir de 2027. Leia abaixo a lista de incidência:

  • Produtos fumígenos (cigarros, charutos, etc.);
  • Bebidas alcoólicas (cerveja, cachaça, etc);
  • Bebidas açucaradas (refrigerantes, etc);
  • Concursos de prognósticos e Fantasy sport (bets, etc);
  • Embarcações e aeronaves;
  • Veículos;
  • Bens minerais.

O governo federal projeta arrecadar R$ 42 bilhões com o IS em 2027, segundo a proposta de Orçamento enviada ao Congresso Nacional.

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