“Reforma é oportunidade de ouro”, diz Ricardo Temer, executivo da Azul Linhas Aéreas

Foto: Rovena Rosa via Agência Brasil

Por Regina Krauss e Douglas Rodrigues

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A Azul Linhas Aéreas Brasileiras, terceira maior empresa do setor no Brasil e líder em número de cidades atendidas, vem conduzindo uma avaliação estruturada dos impactos da reforma tributária em todas as suas frentes de atuação. Transporte de passageiros, cargas, agências de viagens, serviços de manutenção e programa de fidelidade estão sendo analisados à luz do novo modelo. Para a companhia, a transição representa uma oportunidade relevante de aprimoramento operacional e fortalecimento da competitividade, desde que conduzida com disciplina e rigor técnico.

Ricardo Temer, responsável pela Controladoria Corporativa, destaca que a implementação do modelo de IVA dual exige uma abordagem estruturada, especialmente em um setor caracterizado por margens historicamente pressionadas, elevada volatilidade de custos e forte dependência de regras fiscais em múltiplas jurisdições. “Reformas tributárias são, por natureza, complexas. No setor aéreo, essa complexidade é ampliada pelas características operacionais do negócio. O foco deve estar na consistência da implementação e na preservação da eficiência econômica”.

Segundo o executivo, o diferencial competitivo estará diretamente relacionado à capacidade de execução das companhias. “A forma de implementação será determinante para capturar eficiência e evitar ineficiências ao longo da cadeia de valor”.

AGENDA ESTRATÉGICA

Na Azul, a reforma tributária passou a ser tratada como uma agenda estratégica da alta liderança. “A abordagem adotada foi intencionalmente estratégica. Mais do que atender aos requisitos regulatórios, buscamos avaliar impactos estruturais e identificar oportunidades de eficiência”. As análises envolvem diferentes dimensões do negócio, incluindo revisão contratual, modelos de precificação e otimização da malha operacional, sempre com foco em sustentabilidade e qualidade do serviço.

TRÊS FRENTES DE ATUAÇÃO

Para lidar com a complexidade da transição, a companhia estruturou um programa baseado em 3 pilares integrados:

  • Técnico: interpretação e aplicação das novas regras tributárias
  • Sistêmico: adequação da infraestrutura tecnológica
  • Estratégico: incorporação dos impactos às decisões de negócio

REVISÃO DE PROCESSOS

A adaptação tecnológica é um dos principais desafios da implementação. A Azul opera com um ambiente complexo, composto por diversos sistemas interconectados. “Garantir consistência, integração e qualidade da informação nesse ambiente é um fator crítico de sucesso”.

Como parte da preparação, a companhia atuou na modernização de seu ERP, em um processo que reforça a robustez da infraestrutura tecnológica. Paralelamente, foi iniciada uma revisão abrangente de processos internos, com foco em padronização, clareza de fluxos e melhoria contínua da qualidade da informação.

DECISÕES OPERACIONAIS

A reforma também deve ser avaliada sob a perspectiva de decisões operacionais, como planejamento de rotas e estrutura de preços. No setor aéreo, o componente tributário é relevante na equação econômica. “É fundamental garantir previsibilidade e consistência na aplicação das regras, de forma a sustentar decisões operacionais eficientes”. Segundo Temer, os impactos dependerão fundamentalmente da qualidade da implementação e da capacidade de adaptação das empresas.

COMBUSTÍVEL E VARIÁVEL EXTERNA

O combustível segue como uma das principais linhas de custo da indústria, associado a elevada exposição a variáveis externas, como preços internacionais e eventos geopolíticos. “Trabalhamos com planejamento baseado em múltiplos cenários, dada a natureza dinâmica do setor”. Esse contexto reforça a importância de disciplina financeira e gestão ativa de riscos.

APRENDIZADO COM O PILOTO

A Azul participou do projeto piloto da Receita Federal, em parceria com o Serpro, voltado à simulação da CBS. A iniciativa permitiu antecipar desafios operacionais e aprimorar a preparação da companhia. “Foi uma oportunidade relevante de aprendizado prático, permitindo ajustes antes da implementação efetiva”, disse.

EVOLUÇÃO DO PAPEL DA ÁREA TRIBUTÁRIA

A reforma também amplia o papel estratégico das áreas tributárias, que passam a atuar de forma mais integrada às decisões de negócio. “Após garantir a conformidade, a agenda evolui para a captura de eficiência e geração de valor”. Segundo o executivo, compliance e estratégia devem evoluir de forma complementar.

VISÃO SETORIAL

Nas discussões com entidades e associações, a Azul adota uma abordagem voltada ao fortalecimento do setor como um todo. “A sustentabilidade do ecossistema depende de condições estruturais adequadas para todos os participantes”.

Apesar das incertezas, a aviação é reconhecida por sua capacidade de adaptação a ambientes complexos e dinâmicos. “Gestão de risco e adaptação fazem parte da essência do setor”, falou. Nesse contexto, a reforma é vista como uma oportunidade de evolução estrutural, com potencial de aprimorar eficiência e competitividade ao longo do tempo.

AZUL LINHAS AÉREAS

Fundada em 2008 por David Neeleman e presidida por John Rodgerson, a Azul consolidou-se com um modelo focado em conectividade regional e ampla capilaridade no território brasileiro.

A companhia opera mais de 150 destinos nacionais e internacionais, com hubs relevantes em Viracopos (Campinas), Confins e Recife. Em 2025, transportou mais de 31,7 milhões de passageiros, atingindo recorde histórico de demanda.

QUEM É RICARDO TEMER

Ricardo Temer é Diretor de Controladoria Corporativa da Azul desde maio de 2025. Possui experiência consolidada em finanças, com passagens por BRF, LATAM Airlines, Companhia Siderúrgica Nacional e Deloitte.

É formado em Administração e possui especializações pela Harvard Business School, Fundação Getulio Vargas e FIA Business School.


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