
Felipe Azzi Melo (Bradesco)
Por Leonardo Alexandre, de São Paulo
Especialistas do setor tributário defenderam que a IA (Inteligência Artificial) acelera tarefas, mas não substitui o julgamento humano dos profissionais da área. Os insights vieram em uma palestra realizada na 3ª feira (25.ago.2026) durante a Febraban Tech 2026.
Nelita Donatti, tax partner da multinacional de serviços profissionais EY, disse que a inteligência artificial já mudou o cotidiano de quem trabalha com tributos. Destacou o ganho de agilidade na busca por informação, inclusive em relação à reforma tributária do consumo.
“No passado, encontrar informação sobre um tributo novo exigia muito esforço manual do profissional. Com a IA, esse processo ficou muito mais ágil. Ela ajuda as empresas a entender o que precisa mudar nos cálculos e o que continua igual com a nova reforma”, disse Nelita.
Apesar disso, ela afirmou que o convívio entre os profissionais mudou por causa da menor necessidade de recorrer a colegas para tirar dúvidas.
“No ambiente de trabalho, a gente perdeu um pouco aquele hábito de conversar com o colega para tirar uma dúvida em conjunto. Hoje, cada um busca a resposta sozinho na sua tela. Acho essencial resgatar esse espaço de troca e pensar com cuidado em como a IA entra nesse processo junto com as pessoas”, declarou.
Nelita encerrou sua fala com uma ressalva sobre os limites da tecnologia. Para ela, o resultado gerado por uma IA sempre precisa passar pelo crivo de um profissional experiente.
“De nada adianta ter a resposta da IA sem um profissional preparado para validar se aquilo está correto. Nem o conhecimento humano, nem o da inteligência artificial, são infalíveis”, declarou.
Denis Gamba, sócio da EY, reforçou o argumento de Nelita e defendeu que o profissional precisa, ao mesmo tempo, se adaptar à tecnologia e dominar as práticas tradicionais.
“O profissional que não se tornar multifuncional vai ter dificuldade de crescer nesse mercado. Quem trabalha com tecnologia vai precisar entender de dados, e o contrário também é verdade. Quem domina a inteligência artificial também vai precisar saber operar sem ela”, afirmou.
Felipe Azzi Melo, líder de reforma tributária no Bradesco, disse que o banco passou a recorrer à IA para delimitar informações e agrupar dados sobre os clientes.
“A inteligência artificial acelerou bastante esse trabalho e ampliou nosso alcance na captação de dados dos clientes, tanto pessoa física quanto pessoa jurídica. Hoje usamos ferramentas que nem existiam na nossa rotina há dois ou três anos”, disse Felipe.
Ele também comentou sobre a mudança no perfil das equipes. Definiu esse fenômeno como uma espécie de “miscigenação” no mercado tributário, com profissionais de formações cada vez mais variadas.
“Pela primeira vez na história do Bradesco, temos 2 analistas de dados dedicados a essa frente, e os resultados já apareceram”, afirmou.
Felipe relatou episódio que, para ele, resume o principal risco da automação. Disse ter pedido a um analista mais jovem para avaliar duas situações. Ao receber a resposta, quis entender o raciocínio por trás dela.
“Eu pesquisei em outra IA e deu o mesmo resultado, então eu penso mesmo”, respondeu o analista, segundo Felipe.
O gerente afirmou que a situação ilustra o desafio que enxerga para as próximas gerações de profissionais da área: a falta de senso crítico.
“Por mais que os resultados venham automatizados, a próxima geração de profissionais vai precisar cultivar o senso crítico. Mesmo com a ajuda da inteligência artificial, a checagem humana continua sendo necessária”, avaliou.
O que esta notícia muda na prática?
Vá além da notícia e entenda como essa mudança pode impactar sua empresa, seus clientes ou sua rotina profissional.
- IA treinada com nosso acervo
- Monitor automático de notas técnicas
- Revista, cursos e conteúdos exclusivos
- Teste gratuito por 7 dias








