
Por Redação
A empresa de tecnologia ROIT realizou na 2ª feira (27.jul.2026) um evento em colaboração com a SAP marcado pela apresentação do 1º smart contract tributário voltado à adaptação das empresas à reforma do consumo. Promovido no auditório da SAP em São Paulo, o episódio reuniu especialistas de diversas vertentes sobre o tema e contou com mais de 100 participantes.
O smart contract foi desenvolvido para enfrentar um dos principais desafios da transição para o novo modelo de tributação: a revisão e atualização dos cadastros de fornecedores e clientes. A solução funciona como uma camada tecnológica e jurídica sobreposta aos contratos comerciais já existentes.
A presidente da SAP para a América Latina e o Caribe, Adriana Aroulho, destacou a importância de eventos voltados à preparação das empresas para a reforma tributária.
“Um tema realmente tão importante como o da reforma tributária, como se preparar para tudo isso e como tirar o melhor disso. Os processos de transformação nunca são fáceis […] Então é muito bacana ver vocês [palestrantes e espectadores] investindo um dia todo, porque também começa pela gente. A gente se preparar, abrir a nossa cabeça, entender as possibilidades, ouvir de quem já está fazendo. Vamos cometer novos erros e aprender com os outros. Acho que esse senso de comunidade também é algo que a gente super valoriza aqui na SAP“, disse.
Marcelo Villa Nova, diretor na SAP, ressaltou o momento como uma oportunidade para as empresas atualizarem seus sistemas para a nova fase do país.
NOVOS PADRÕES
O CEO da ROIT, Lucas Ribeiro, enfatizou que a reforma do consumo exige a redefinição das relações entre empresas, fornecedores e clientes. Segundo ele, a mudança tributária impõe um novo padrão de negociação entre as empresas.
“Temos um desafio grande de parametrização porque nós saímos de um cenário completamente diferente para um novo. Isso precisa ser ajustado nos cadastros e processos. Então será necessário trazer isso para dentro do ERP [sistema de gestão empresarial] […] Será necessário trazer o jurídico para discutir contrato, trazer compras e o comercial para negociar todo o processo com o cliente“, afirmou.
Ribeiro defendeu que a adaptação à reforma tributária deve envolver equipes integradas, reunindo as áreas jurídica, de compras, comercial, financeira, de tecnologia e tributária.
PRECIFICAÇÃO
A CFO da ROIT, Caroline Souza, afirmou que o evento ocorreu em um momento crucial para discutir os desafios da reforma tributária, com foco em temas como precificação, preço líquido e a substituição de tributos.
A executiva apresentou exemplos práticos da formação de preços com base em uma alíquota de 9,43% da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) estimada pela ROIT em cálculo que considera as leis de regulamentação da reforma tributária (LC 214 de 2025 e LC 227 de 2026). Também abordou o aproveitamento de créditos.
“Temos que mudar a forma de trabalhar preços hoje, que até aqui era a parte ‘fácil’ da coisa. Porque a gente nem entrou na pior parte, que é o resíduo tributário“, disse.
Kelvin Vieira Kredens, analista de sistemas no Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), detalhou a solução tecnológica desenvolvida para atender às demandas da Receita Federal relacionadas à CBS.
“A reforma tributária é o maior sistema da história da parceria do Serpro com a Receita Federal“, disse. O Serpro processa atualmente cerca de 10 bilhões de emissões da (Nota Fiscal Eletrônica). A reforma tributária terá um volume 10x maior.
BASTIDORES
O editor-chefe do Portal da Reforma Tributaria, Douglas Rodrigues, trouxe um overview sobre as eleições e os bastidores das mudanças tributárias. Ele comentou a proposta do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “pausar” a reforma tributária durante 1 ano.
“Seria uma tarefa difícil, porque a reforma vem avançando bastante desde a emenda constitucional [EC nº 132] de 2023. A reforma não é só mais uma discussão no papel. A transição já começou e mobiliza muitas empresas, algo que foi possível perceber aqui neste evento. Temos empresas discutindo precificação, tecnologia, processos internos e toda a adaptação necessária para esse novo cenário tributário“, concluiu.
O evento também contou com a apresentação de Gustavo Andrade Manrique, subsecretário de arrecadação, cadastros e atendimento da Receita Federal, que abordou temas relacionados à atuação do órgão. Ele frisou que a Receita espera que o RAD (Recolhimento Assistido do Documento Fiscal) esteja pronto para entrar em operação em 1º de janeiro de 2027, início da fase de transição da CBS (clique aqui para ler a reportagem completa).
Segundo o subsecretário, a Receita já consegue operar com todos os documentos fiscais cujos layouts estão disponíveis e concluirá a adaptação dos demais conforme as especificações forem publicadas.
“A gente não trabalha com a ideia de não estar pronto, para ser bem sincero. A gente trabalha tudo pronto a partir de janeiro”, disse na ocasião.
O CPO da ROIT, Vinicius Zucchini, abordou as atualizações sobre as apurações assistidas do IBS e da CBS. Já Bruno Ogusuko detalhou as soluções do ERP SAP para a reforma tributária.












