Equipe econômica de Flávio Bolsonaro quer aprimorar reforma tributária em eventual governo

Por Enzo Bernardes, de Brasília

A economista e coordenadora do plano econômico do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, afirmou na 2ª feira (14.set.2026) que a equipe pretende aprimorar a reforma tributária caso o candidato seja eleito em 2026.

Daniella e Adolfo Sachsida, também integrante da equipe econômica de Flávio, participaram do Seminário Brasil Hoje, realizado pelo Grupo Esfera Brasil em São Paulo.

A economista afirmou que a equipe é a favor do arcabouço construído, mas questiona 2 dos principais motes da reforma: a simplificação e a redução da carga tributária.

A discussão de uma PEC [Proposta de Emenda à Constituição] desse tipo é complexa e acabou virando uma colcha de retalho de tantas exceções que cada um foi salvar o seu e sobrou uma alíquota impagável para quem não tem exceções. Acho que o próprio Comitê Gestor [do Imposto Sobre Bens e Serviços] já anunciou que vai ser uma alíquota de 28%. É a maior alíquota do mundo. A própria PEC estabelecia um teto de 26,5%. Em alguns setores, principalmente serviços, o preço para o consumidor final e a atividade produtiva fica impossível. Além disso, chegamos em cinco impostos e não em dois“, disse Daniella.

Ela reconheceu não valer a pena iniciar uma nova discussão legislativa sobre o tema. Disse que a equipe reúne 10 PhDs em economia e tributaristas, que através do diálogo tentarão aprimorar a reforma para que “ela chegue no impacto desejado e não seja judicializada antes de começar“.

Em 19 de agosto, Daniella havia classificado a reforma tributária como “uma deforma”, em trocadilho. Apesar das críticas, Marques afastou a hipótese de revogar ou suspender a reforma em um eventual governo de Flávio. “O objetivo não é congelar e sim aprimorar essa reforma”, declarou.

PLANO DE GOVERNO

Flávio Bolsonaro traz em seu plano de governo aquilo que já defendeu publicamente diversas vezes: uma revisão da reforma tributária do consumo. Inicialmente, a equipe de Flávio disse que isso seria realizado por meio de uma suspensão das regras atuais por 1 ano.

“O que estamos apresentando é um prazo de transição de um ano para rever esse modelo. Do jeito que está, vamos criar mais elisão, mais sonegação e mais evasão fiscal”, declarou o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), ao jornal O Globo em 20 de maio.

Depois, o candidato mudou o tom e afirmou que ainda não tinha certeza se suspenderia ou não as regras. “A gente está avaliando como vamos fazer isso ainda. Sobre suspensão ou não, sobre atualização ou não”, disse em 6 de agosto no podcast Market Makers.

Em seu plano de governo, ele critica a estimativa de IVA (Imposto sobre Valor Agregado) próximo de 30% e afirma que isso afasta o Brasil dos padrões de países desenvolvidos. 

Em junho, Flávio chegou a mencionar a intenção de levar o tributo a 20%. Rogério Marinho já afirmou que as mudanças virão por meio de uma PEC.

“Vamos promover a revisão e o redimensionamento da reforma tributária em curso e da majoração de impostos efetuada pelo atual governo, com o objetivo de reduzir efetivamente a carga sobre a produção e o consumo. Vamos corrigir suas distorções, reduzir o IVA”, diz o plano do candidato.

Segundo ele, a ideia é diminuir o número de regimes específicos e exceções dentro da reforma para que a alíquota padrão do IVA caia. O plano de governo não menciona, mas Flávio já defendeu publicamente em agosto uma revisão do Imposto Seletivo sobre alimentos ultraprocessados

Ele também propôs em 6 de agosto uma “transição melhor” para a implantação do split payment (pagamento fracionado do tributo).

Ele afirmou que o novo modelo pode afetar o fluxo de caixa de comerciantes e empreendedores, já que o tributo será recolhido automaticamente no momento da compra. Para o parlamentar, o setor precisará de mais tempo para se adaptar à mudança.

Uma matéria publicada pelo Portal da Reforma Tributária em 18 de agosto mostra o plano de governo de cada candidato à Presidência da República e suas pretensões em relação à reforma tributária.


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