
Por Redação
O jornal O Estado de S. Paulo publicou na 2ª feira (3.ago.2026) um editorial criticando uma eventual pausa ou rediscussão da reforma tributária, pautadas por candidatos à presidência da República.
Uma das propostas de governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), caso seja eleito presidente, é enviar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para “pausar” a reforma tributária por 1 ano.
Já o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) defendeu que será necessário fazer uma análise mais ampla da reforma tributária na prática. Entretanto, disse não ser contra a atualização das regras.
No editorial, o jornal argumenta que “não faltam problemas econômicos para os candidatos à Presidência da República discutirem”, mas afirma que a rediscussão da reforma tributária não deveria estar entre eles.
O Estadão considera a reforma tributária um avanço e afirma que sempre defendeu a mudança desde o início das discussões, mas sem deixar de criticar pontos que considera negativos.
“Mais que simplesmente unificar 5 tributos federais, estaduais e municipais sobre bens e serviços, o Congresso decidiu abandonar um sistema arcaico, confuso, cumulativo, regressivo e absolutamente injusto que ficou conhecido como manicômio tributário e que está por trás da falta da produtividade de nossa economia“, escreve.
O jornal afirma que essas propostas não fazem sentido diante da aprovação do projeto por ampla maioria no Legislativo, incluindo o apoio dos partidos de Flávio e Caiado. Segundo o Estadão, esses candidatos evitaram o debate quando questionados pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
ASSUNTOS PENDENTES
Apesar do grande avanço da reforma tributária, o Estadão destaca a indefinição das alíquotas do IS (Imposto Seletivo) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) que, segundo o jornal, têm sido seguradas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por “receio do impacto eleitoral“.
O editorial cita ainda o mecanismo split payment, sistema de cobrança automática que recentemente gerou um debate eleitoral. No modelo atual, os impostos são pagos após a transação, permitindo que empresários mantenham recursos em caixa e os usem como capital de giro até o pagamento.
Segundo o jornal, isso tem gerado “certo receio” entre os contribuintes, pois o novo modelo altera a dinâmica atual de recolhimento dos impostos e pode afetar o fluxo de caixa das empresas.
O editorial defende ainda que candidatos responsáveis deveriam explicar que é dessa forma que o sistema vai garantir a geração e o aproveitamento de créditos tributários, especialmente em cadeias mais longas, como a indústria, em vez de apenas rejeitar a reforma sem apresentar uma alternativa concreta.
“Mas, felizmente, a reforma segue seu cronograma. Abrir mão de todos os benefícios que ela vai proporcionar à economia seria um retrocesso inaceitável. O País precisará enfrentar muitos problemas inadiáveis em 2027, a começar por um ajuste fiscal. A reforma tributária não é um deles“, diz o texto.
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